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    January 30

    Como aguento?

    Ouço o tema principal da banda sonora do Brave Heart. Respiro fundo. Penso que a vida é feita de mudanças constantes e de caos ocasional. Rogo a Deus que me dê força. Choro apenas quando descasco cebola. Danço para exorcizar os males que me rodeiam. E aguento. Porque a vida é uma graça. A maior de todas elas.
    January 26

    Encerrar janelas

    Perguntam-me muitas vezes porque deixei eu o emprego. Quase nunca sei responder. Hoje, porém, ocorreu-me uma metáfora. Imaginem que querem encerrar o computador. Não podem encerrar só uma janela! Precisam de as encerrar a todas antes do SHUT DOWN... Deixar o emprego foi apenas uma janela que eu encerrei. Entenderam? Não percam o próximo tutorial sobre como encerrar janelas!!!
    January 24

    Angústia para o Jantar

    Eu odeio carne. Mas um ódio viscerál. Sobretudo carne vermelha. Ainda assim tinha quatro costoletas para grelhar. Vermelhas, Cheias de sangue um nojo. Deviam ser o jantar do primeiro dia de quimio-terapia da minha mãe. Peguei na carne a custo e a gordura quase me fez vomitar. Desossei-a. Tirei-lhe a gordura e parti-a em pedaços o mais pequenos possíveis. Fiz um esturgido de cebola e alho. Juntei vinho, oregãos, salsa, tomate cereja e deixei a mistura ferver. Juntei os pedaços de carne. Raspei uma cebola. Mais uma lata de cogumelos. Mais umas rodelas de chouriça. Deixei ferver. Juntei batata aos bocados e massa. O cheiro das ervas aromáticas já me fazia esquecer o enjoo de ter de arranjar a carne. Julguei que este seria um prato bom para quem vem de uma sessão de tratamento. Mas enganei-me. A minha mãe chegou do hospital. Tinha passado mal. Tinha vomitado e vinha agoniada. Disse que só ia querer sopa. A sopa que eu nem sequer tinha aquecido, tal seria o banquete cheiroso da carne que estava a fazer. O meu pai, por ele, disse logo a seguir, tinha preferido as costoletas grelhadas com arroz branco. Eu acabei por perder o apetite.

    Pulp - Common People

    She came from Greece she had a thirst for knowledge, she studied sculpture at Saint Martins College, that's where I caught her eye.
     
    She told me that her dad was loaded, I said "In that case I'll have a rum and coca-cola, she said "Fine" and in 30 seconds time she said
    "I want to live like common people, I want to do whatever common people do, I want to sleep with common people, I want to sleep with common people like you". Well what else could I do, I said "I'll see what I can do."
     
    I took her to a supermarket, I don't know why but I had to start it somewhere, so it started there. I said 'Pretend you've got no money', but she just laughed and said "Oh you're so funny", I said "Yeah. Well I can't see anyone else smiling in here."
     
    Are you sure you want to live like common people, you want to see whatever common people see, you want to sleep with common people, you want to sleep with common people like me.
     
    But she didn't understand, she just smiled and held my hand.
     
    Rent a flat above a shop, cut your hair and get a job.
     
    Smoke some fags and play some pool, pretend you never went to school.
     
    But still you'll never get it right 'cos when you're laid in bed at night watching roaches climb the wall, if you called your dad he could stop it all.
     
    You'll never live like common people, you'll never do whatever common people do, you'll never fail like common people, you'll never watch your life slide out of view, and dance and drink and screw, because there's nothing else to do.
     
    Sing along with the common people, sing along and it might just get you through. Laugh along with the common people, laugh along even though they're laughing at you and the stupid things that you do, because you think that poor is cool.
     
    Like a dog lying in a corner they will bite you and never warn you. Look out they'll tear your insides out. 'Cos everybody hates a tourist, especially one who thinks it's all such a laugh and the chip stains and grease will come out in the bath.
     
    You will never understand how it feels to live your life with no meaning or control and with nowhere left to go. You are amazed that they exist and they burn so bright whilst you can only wonder why.
     
    Rent a flat above a shop, cut your hair and get a job. Smoke some fags and play some pool, pretend you never went to school.
     
    Still you'll never get it right 'cos when you're laid in bed at night watching roaches climb the wall, if you called your dad he could stop it all.
     
    You'll never live like common people, you'll never do what common people do, you'll never fail like common people, you'll never watch your life slide out of view, and dance and drink and screw because there's nothing else to do. I want to live with common people like you!!!!!

    Ócio e trabalho

    Acordo às 10h. Tomo o meu leite com café ao sol. No chão da minha sala. As minhas plantas fazem a fotossíntese. Eu aproveito para ler. Um livro. Uma revista. O catálogo da La Redoute. Aproveito o sol para estender a roupa. Com tantos treinos de dança jazz e salsa, sou obrigada a lavar quase todos os dias. Arrumo alguma tralha. Lavo a loiça do pequeno-almoço. Visto-me e saio. Uma das paragens obrigatórias é o supermercado. Tenho tempo. Mas como não tenho muito dinheiro, aproveito para fazer prospecção de mercado. Percorro a pé os vários supermercados da Baixa e anoto o preço das coisas. Poupo muito. Volto a casa. Arrumo as compras. Rumo a casa da minha mãe. Que mora a 288 metros de minha casa, segundo as contas do Google Earth. Almoçamos. Ela cozinha eu lavo a loiça. Passamos a tarde em casa. Vemos o "Fantasma da Ópera", em DVD. Lanchamos. Por volta das seis da tarde saio para a dança jazz. Retorno às oito e meia. É a minha vez de cozinhar. Faço uma massa de chouriça de Arganil, com tomate cereja, salsa e oregãos. Requeijão esmagado com sal e pimenta por cima. A acompanhar sangria. Conversamos. Lavo a loiça. Vou à net. Dou duas de letra com quem estiver online. Faz-se tarde. Desligo o computador e meto pés aos 288 metros. Mando um sms à minha mãe a dizer que estou já em casa. Volto à leitura. Dou uma olhadela à televisão até adormecer. Tenho o tempo por minha conta. E não há nada que pague tal liberdade.
    January 21

    Fotografia

    "Estás com um sorriso tão grande que nem pareces tu!" Uma observação de um amigo ao ver uma fotografia nova que pus no messenger. Sabia que tinha perdido o hábito de sorrir. Mas apercebi-me hoje que os amigos reparam nisso. Mesmo os que pouco me conhecem. Sorrio muito menos. Rio com muito maior esforço. A felicidade é uma tentativa nem sempre conseguida. "Eu também sei sorrir..." Ás vezes de forma espontânea. Como nessa fotografia. Estava em casa da Carina com o Toninho, um gatinho ainda bébé, no ombro. Rio porque a Carina já disparou mais de 100 vezes o flash para apanhar os gatos em todas as posições e feitios. Apanhou bem essa alegria momentânea. Verdadeira.

    Keep it simple!!

    Descomplicar é a palavra de ordem. Manter a vida na simplicidade adequada. E fazer sempre o possível. Evitando ginásticas barrocas. Informação adicional. Explicações melhor explicadas. Abaixo o excesso. Moderação. Tudo ao alcance. Impossíveis de lado.
    January 15

    Nada me faltará

    O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
    Em verdes prados ele me faz repousar.
    Conduz-me junto às águas refrescantes,
    restaura as forças de minha alma.
    Pelos caminhos retos ele me leva,
    por amor do seu nome.

    Ainda que eu atravesse o vale escuro,
    nada temerei, pois estais comigo.
    Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.

    Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos.
    Derramais o perfume sobre minha cabeça,
    e transborda minha taça.
    A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me
    por todos os dias de minha vida.
    E habitarei na casa do Senhor por longos dias.


    (Salmo 22/23 atribuído ao Rei Davi)
    January 14

    Um mês

    Uma data a celebrar!