Andreia's profileAr & CuraPhotosBlogLists Tools Help

Blog


    October 30

    Leigos para o Desenvolvimento

    Há quem parta por desgosto amoroso. Quem parta porque lhe morreu alguém próximo. Quem parta porque a vida lhe corre mal. Não importam os motivos. Importa a vontade de partir. Disse-me Vera, uma das formadoras, vou já escrever de quê! Eu tenho essa vontade de PARTIR comigo há muito anos. Partir a cara aos colegas que me apalpavam o rabo na brincadeira no 5º ano. Partir a cara às raparigas que diziam mal de mim por eu passar o recreio a brincar com os rapazes. Partir para Braga. Partir tudo em casa. Partir a loiça. Partir de viagem. Partir. Partir. Partir. Ontem iniciei um curso de voluntariado numa Organização Não- Governamental para o Desenvolvimento, chamada Leigos para o Desenvolvimento, passo a redundância. Nove meses de gestação e no fim, se o parto correr bem PARTO para África. Parto por ter vontade de ajudar. Mas parto também por gosto, porque ainda não me morreu ninguém e a vida me corre razoavelmente bem.

    O suicídio colectivo de 150 golfinhos

    Abalou-me. Esta manhã ao consultar o site da AFP, uma agência noticiosa internacional, ficai a saber que 150 golfinhos tinham decidido morrer em grupo simplesmente abandonando o mar e nadando rumo à costa do Golfo Pérsico. São 150 golfinhos. Dizia a notícia que algumas pessoas tentaram fazer voltar os golfinhos ao mar. Eles recusaram, lê-se ainda. Os golfinhos são o animal mais inteligente. Pergunto-me se não mais do que os humanos. O Filipe diz-me via messenger "que não". Tal acto deixou os ecologistas pasmados. Os cadáveres dos suicídas não apresentavam sinais de poluição. Este costuma ser um dos motivos dos suicídios, mas em menor escala. Então? Porque se mataram eles? Qual o significado da sua recusa em aceitar a tão rara solidariedade humana que insistia para que voltassem ao mar para vir morrer à costa? São 150 golfinhos. Não pertenciam a nenhuma seita religiosa. Provavelmente não acreditavam na reencarnação da alma, nem na ressurreição. Mataram-se. Sem esperança num mundo melhor? Ou para nos alertar para algo maior? Estou pasmada. E não sou ecologista.
    October 14

    O encontro

    "Há coisas que fazemos e nunca serão reconhecidas. Vão ficar apenas na nossa memória. Como se acontecessem no interior do nosso quarto e a porta estivesse fechada", dizia M., enquanto vertia a água natural para o copo. O encontro fora marcado por email. Duas estranhas à mesa de um café. Talvez não tão estranhas como ambas pensariam. Duas mulheres bonitas. Directas. Reunidas como objectivo de entender o amor. Pelo mesmo homem, em tempos distintos com consequências amorosas desastrosas. "Ele nunca vai admitir que errou", continuava M. Não tinha sido ela a pedir o encontro. Mas a outra, L. A do tempo passado. Para evitar os mesmos erros no fututo. "Ao contrário do que toda a gente costuma defender eu não acredito que possamos aprender com os erros", dizia M, L concordava. De outro modo teria aprendido e aquele encontro seria absolutamente desnecessário. Agora que se conheciam, nenhuma das duas poderia invejar a outra. Estavam unidas na mesma desilusão.
    October 11

    Desafios aos 30 anos

    Não há nada como uma boa mexidela na carreira aos 30 anos, para tirar o pó acumulado por quatro anos de efectividade num emprego. Troco a carteira de jornalista permanente e remunerada pela de FREELANCER. Perco estabilidade, ganho liberdade. Lembro-me que "um homem só é livre quando não tem emprego e não tem fome" (Mice and Men - John Steinbeck) e sinto-me LIVRE. Preparada para voltar a correr atrás do sonho de ser correspondente. E para aceitar desafios como o de preparar espectáculos de dança do ventre na ESCOLA de DANÇA da minha amiga Claúdia. A verdade libertou-me hoje quando ao chefe relatei as injustiças que se cometem nas suas costas e toda a malidicência das pessoas da "sua confiança". A verdade me libertou ao assumir uma dor e a tentativa de a aplacar. A verdade me libertou!!! Nunca mais serei prisioneira... de nada, nem de ninguém!
    October 03

    Carta ao CHEFE

    A sua consideração sobre a diminuição de qualidade do meu trabalho nos últimos dois anos fez-me pensar nas causas dessa situação. Partindo do pressuposto – que pode estar errado – de que quem sabe escrever bem não deixa de o saber fazer – só posso encontrar uma explicação: DESMOTIVAÇÃO. E, aviso desde já que para mim e não creio estar enganada, só desmotiva quem se interessa, quem defende algo em que acredita a tal ponto que desanima quando as coisas não correm bem. Nestes dois últimos anos, talvez se tenha dado conta, muita coisa mudou neste jornal. Á cabeça da lista, o “desvincular” do J. Com isso perdeu-se um certo espírito de grupo característico dos primeiros tempos e que atingia o seu ponto máximo nas nossas reuniões de quinta-feira. Muita coisa do que lá se passava ajudava ao bem-estar informal que se veio a perder. Sucederam-se as reuniões a três. Que passaram a acontecer de forma menos regular. Ao ponto de terem desaparecido. Com todas as consequências que daí vieram. Nomeadamente a total dissolução do tal espírito de grupo. O meu crescente individualismo, por si notado, tem a sua razão de ser nesse aspecto que referi. Trabalho sozinha. Sei que posso recorrer a si para o debate de ideias, mas não deixo de ter saudades dos tempos em que eu e o R. nos sentávamos à mesma secretaria e juntos colaborávamos, ele lia sempre os meus textos, dava-me a sua opinião, eu – com absoluta modéstia, dado que tenho muita menos experiência do que ele – lia os trabalhos dele e dava a minha opinião. Foi algo que também se perdeu. A vinda da S. trouxe uma lufada de motivação ao meu trabalho. Gosto e sempre me disponibilizei em tudo o que ela precisava de fazer, fosse a escrita de uma carta mais formal ou meramente o subir e descer ao escadote para ir buscar livros ou jornais. Recordo o tempo passado – pelas duas – por carolice a assinar os postais de Natal enviados aos mais de 100 colaboradores e amigos do jornal. As semanas a colar etiquetas, coisas que, por mais simples que sejam, reforçam o espírito de união, mas que não deixam de ser insuficientes, face ao quadro geral. Chocaram-me algumas considerações demeritórias suas à cerca do meu trabalho em frente da L. e do M. Facto que contribui para um mau estar entre “colegas”, ainda que eles não sejam funcionários do jornal. Outro ponto que considero crucial foi a celebre discussão com os responsáveis pela fotografia. Desde esse dia ficamos enfeudados aos mandos e desmandos dessa empresa e eu tive de assistir a episódios humilhantes para mim enquanto jornalista. Quer na postura dos “fotógrafos” face aos meus interlocutores em reportagens, em entrevistas, etc, quer durante as correcções do jornal. É desmotivador para mim o que aconteceu, por exemplo, num dos últimos trabalhos sobre o abandono escolar, ver o meu investimento em assegurar que TODOS os entrevistados eram fotografados, marcando as entrevistas para horas convenientes aos fotografos, marcando e desmarcando encontros com os entrevistados, no final ser simplesmente ignorado. E em meia dúzia de entrevistados, apenas dois tiveram direito a fotografia. Acresce algum descontentamento, pelo título que atribuiu à minha peça que vai sair agora em Novembro. Não sou pessoa de exteriorizar muito os “problemas”, mas enfim, achei que tinha alguma coisa a dizer.
    October 01

    Mundos mudos - Da Weasel

    Ligo directo para a caixa de correio só para ouvir a tua voz, [não posso ver-te] Sei que é cena fora mas todo o dia chega a hora em que o lado esquerdo chora quando se lembra de nós [a dor não passa] A vida corre tranquila, cada vez menos reguila [sem a tua turbulência] meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto [à custa de muitos comprimidos] Para minha alegria e meu espanto Pode ser que o passado fique por onde deve estar: No pretérito imperfeito, já que não é mais-que- perfeito, [não pode ser de outra maneira] Este é um presente que eu aceito [mas não entendo] Para atingir a tranquilidade Que supostamente se atinge com a nossa idade [mas não consigo] A verdade é que a saudade do que passou Não é mais que muita... [é tristeza] Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi... [com todo o meu ser] Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi Agora, Muda de número, eu mudei o meu, Muda de número, eu mudei o meu, Muda de número, eu mudei o meu, Muda de Mundo que eu mudei o meu. Cada vez que eu ligo tento deixar mensagem mas acabo por nunca arranjar a coragem Necessária [para os cafés e encontros ocasionais] Gostava apenas de partilhar contigo o quotidiano habitual [sei que era essa a tua vontade, mas não é possível] Nada que se compare com as correrias doutras alturas e doutros abismos [em que ainda mergulho] E já que falo por eufemismos Gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti... [tu sabes] A casa tá diferente, parece digna de gente [completei a mobília] Dá gosto sentar no sofá com a tv pela frente Comprei uma máquina de café [comprei cortinas rosa-bebé] Xpto, bem bonita, azul bebé Ocasionalmente cozinho e bebo o meu vinho [cozinho para uma casa cheia de gente] E esqueço o fumo que nos dava aquele quentinho [e esqueço que um dia fomos apenas dois] Hoje em dia é mais à base do ar condicionado Condicionei a tentação num clima controlado Quero que saibas que tou bem, sei que tu mais ou menos [sei que estás bem eu continuo mais ou menos] Sempre gostaste de brincar em perigosos terrenos Em relação a isso eu não sei o que fazer E se calhar é por isso mesmo que acabo por não dizer que [me arrependo] a verdade é que a saudade do que passou Não é mais que muita... Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi... Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi Agora, Muda de número, eu mudei o meu, Muda de número, eu mudei o meu, Muda de número, eu mudei o meu, Muda de Mundo que eu mudei o meu.