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30 noviembre

X & Y

As gajas são umas putas. Os gajos são uns cabrões. As gajam reclamam que os gajos só gostam das filhas da puta que os fazem comer merda do chão. Os gajos dizem que as gajas só gostam dos cabrões de merda que lhes fazem a vida negra. As "boas" e os "bons" meninos ficam sempre na merda. Então? Alguém me explica esta porra? Anda tudo à procura do mesmo e ninguém se encontra no puto do meio do caminho. Foda-se!
As gajas dizem que os gajos só inventam. Os gajos dizem que as gajas são manipuladoras. Quando um gajo é honesto, defendem-se eles, as gajas ficam fodidas com as merdas que eles dizem e caem no primeiro que lhes conta uma mentira descarada, mas que elas gostam. Quando uma gaja joga limpo, acusam elas, perde o jogo para uma filha da puta qualquer que faz batota e acaba por lhe roubar o tanso que cai como um pato! Puta que pariu... Que é esta merda?
Puta que vos pariu a todos! "Casainde e multiplicande-vos", que eu por mim: viro LÉSBICA. 
27 noviembre

Sr. Bin Laden vou ter de recusar a sua oferta...

Numa altura (fica sempre bem começar um texto assim) em que me preparava para apresentar pela terceira vez, em cinco anos de trabalho no jornal, a minha carta de demissão, escrita com tanto entusiasmo em Março de 2002 e desde aí actualizada apenas na data e em algumas partes das justificações, e em que já tinha uma proposta de trabalho alternativa, consistente, à minha espera, feita via Skype pelo senhor Bin Laden, que estava a contar com a minha pouca habilidade bombista para fazer uma célula, das pequenas, para operar aqui em Portugal, nesta altura em que a minha carreira parecia estar prestes a dar um salto para o Além, precisamente nesta altura, e após uma reunião de redacção que serviria para eu brilhar com a minha demissão, eis que tudo muda de figura, e o meu chefe descobre que afinal faço alguma falta às hostes, torço o nariz, hesito, olho para a carta tão bonita no envelope branco e perco a vontade de me alistar na empresa do senhor Bin Laden, hum, vou continuar neste jornal por mais uns tempos, mas entretanto vou pedir ao senhor Bin Laden que meta uma cunha e mande o meu CV para a Al Jazeera, nunca se sabe quando pode surgir outra oportunidade de entregar o envelope.

"Fácil de entender", difícil de aceitar...

«Talvez por não saber falar de cor, imaginei. Talvez por não saber o que será melhor, aproximei. “O meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós”. Sei lá eu o que queres dizer... Despedir-me de ti, adeus um dia voltarei a ser feliz... Talvez por não saber falar de cor, aproximei... Triste é o virar de costas o último adeus, sabe Deus o que quero dizer. Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou... E se ao menos tudo fosse igual a ti. Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, já não sei se sei o que é sentir. Se por falar falei, pensei que se falasse era mais fácil de entender... É o amor que chega ao fim, um final assim-assim é mais fácil de entender...» The GIFT, Fácil de Entender... Ao menos resolvi o "Problema de Expressão", dos Clã...
25 noviembre

O Bin Laden telefonou-me via Skype

Maravilha da tecnologia. Pude falar para o Luxemburgo com a minha querida SA sem pagar um tostão via Skype. Mas agora acabei de receber um telefonema do Bin Laden... Começou por dizer "Hi" e vai daí... fez-me uma proposta de emprego. Eu disse-lhe que neste monento estou efectiva na Página... ele não conhecia o jornal... Eu lá lhe expliquei e tal que escrevia sobre educação... não sabia se era bem isso que ele procurava, disse também que não tinha "skills" em bombas, mas que se ele tivesse quem me ensinasse a fazê-las que eu aprendia depressa. Ele ficou de analizar o meu CV e disse que depois me voltava a ligar, via Skype.
22 noviembre

O horror, o drama, a tragédia... e daí talvez não!

Merda. Vesti a minha t-shirt da desconfiança do sapo. A que diz que sou "boa, cabra, confiante e rica", em inglês, porque em português soava mal! Há meses que ela pairava no fundo da gaveta. Encerrando em si tantas más recordações. Hoje, com um frio do caralho, vesti-a. Saí à rua ligeira como sempre. Muito mais cedo que de costume: 7h30. Dormi nove horas. Sonhei de caralho. Pesadelos, como já é habitual. "Deixa-a pagar o jantar!" Tudo indica que M. vá jantar com a sua "ex". Acho bem. Acho bonito. O amor é lindo. Tudo indica que P. vá ser pai. Acho bem. Acho bonito. A paternidade é linda. Esqueci-me de tirar a merda da etiqueta à t-shirt. Cortei-a à pressa da primeira e última vez, até hoje, que a vesti. De modo que vim o caminho todo a coçar-me no sítio onde ainda estava cosida meia etiqueta. Parei numa retrosaria: "Uma agulha e um carreto de linha preta, se faz favor!" Chego ao jornal, muito mais cedo que o costume: 9h. Vou à expedição buscar uma tesoura. Fecho-me na casa-de-banho. Corto a etiqueta, descosendo a t-shirt e volto a cose-la. Lembro-me de uma lenga-lenga que a minha mãe murmurava sempre que à pressa me cosia qualquer peça, sem que eu a despisse para não perder tempo: "Não coso vivo, nem morto, só coso aquilo que está roto!" Puta que pariu. Está a velhota M. a bater à porta da casa-de-banho: "Caíste!" O serviço de costura está no fim. Visto a t-shirt e saio. "Sabe como é M. eu para chegar tão cedo só tenho tempo em casa de pôr o creme para as borbulhas, o resto da minha higiene pessoal tem de ser feita aqui!" M. olha-me fixamente. Pensará para com os seus botões bem cosidos que eu devo estar a gozar com a cara dela, ou não! Há sempre uma margem de dúvida em qualquer certeza. Vai daí... Hoje vesti as calças pretas que dizem por mim a quem me olha que sou boa como o milho (para não dizer caralho, que fica feio). Pus o risco preto nos olhos, para poder fazer a minha cara de "bad girl" e preparei-me para o horror, o drama, a tragédia. Sabendo que eles podem ou não aparecer. Mas não há nada como esperar más notícias vestida para matar! E agora vou dar ao dedo... E já que falei em dedo, lembrei-me de uma frase bonita para terminar à moda da RFM, com um pensamento do dia, que não é meu, é do M. (não da velhota, o outro, o tal que vai hoje jantar com a "ex"): "Vamos para depois nos virmos!"
21 noviembre

Carta a Berta

Liguei o telemóvel ao início da noite. Vi a tua mensagem. "Life sucks, is nothing but an illusion and I had enough of it." Por momentos imaginei-te. Em tua casa. O sofá de pele preto, recuperado a quem dele se livrou por tédio. A mobília em tons terra, que tu própria envernizaste, estilo oriental, do Tibete que tu galgaste sozinha durante meio ano para resolver uma crise de identidade. Lembro-me das confissões que me fizeste. Da paixão que te levou a deixar a família e uma vida mais ou menos institucionalizada e a rumar à Holanda. O desespero que foi perceberes que essa paixão tinha data de validade. A humilhação que aguentaste para tentar que esse prazo fosse adiado. E a inutilidade do teu esforço. Lembro-me de teres dito que o facto de não poderes ter filhos condicionou a tua vida. A maternidade foi-te roubada por um infortúnio físico. Sinto uma tristeza profunda, em sintonia com a tua. E à memória chegam-me fragmentos da minha passagem por tua casa. O pequeno-almoço com que nos brindaste, a mim e ao Ivo; o jantar maravilhoso que fizeste na nossa última noite na Holanda. O vinho que nós tanto gostamos: O Pampas. Paladares. É o que guardo dessa viagem. Recordações de sabores... Tu que provaste o que poucos provarão, porque dizes agora que a vida é uma ilusão? É a isso que te sabe? Não sei porque te faço esta pergunta. Sei a resposta na ponta da língua. Soube a pouco. Imagino-te abraçada à Mafalda, a tua cadela, a chorar. Vejo-a correr na minha direcção para me atacar e vejo-me a correr para a tua casa de banho em pánico. Ouço o Ivo rir: "Podes sair, ela não te vai morder!" Enviei uma mensagem ao Ivo assim que li a tua. Disse-me que também lhe enviaste esse desabafo. E que devias estar a precisar de conforto amigo. Quando os dias correm sem sabor a nada há memórias que despertam as papilas gustativas. Alimenta-te delas.
17 noviembre

Good girl, good heart, pushed too hard!

This bad girl attitude doesn't fit you, my dear... Do you think I didn't notice? You act like if you had dress the ugly image he built about you. Haven´t you witness the insignificanse of his words?
 
Undress your self of all that he had told you. Don’t try to prove him he was right just to hide your pain. Deep inside you know what I am about to say, but I’ll say it once again, so please try to hear me: You are a good girl, you have a good heart, you were just pushed too hard!
 
 
 
15 noviembre

A bandeira vermelha

Um rapaz está parado num semáforo. Veste uma t-shirt vermelha por cima da sua camisola. Tem nas mãos uma bandeira vermelha. Não a agita com entusiasmo. Ergue-a e deixa ao vento a tarefa de a desembainhar. Os carros passam. Quando o sinal vermelho os faz parar, os condutores olham o rapaz. Talvez olhem a bandeira. Apenas para distracção. O rapaz não olha ninguém nos olhos. Olha o infinito, olha o chão. O braço bem estendido. A mão no cotovelo para amparar o cansaço. A bandeira empunhada. Espera também que ninguém o olhe. Não está alí para ser visto, mas para mostrar a inscrição da bandeira: "Arrábida Shopping, sempre consigo!" Um dia alguém escreveu que o capitalismo se devoraria a si próprio. Deglutirá também a humilhação que impõe por alguns trocos a quem deles necessita?
14 noviembre

Esgotamento II

A sequela é sempre pior que o original.
13 noviembre

Em antecipação, porque não?

A ameaça não podia vir em melhor hora. "Ou entrega os seus textos todos no dia 20 ou eu não lhe publico nada", retorquiu o chefe. Havemos pena... Se não recebermos haveremos muita pena, mas decideremos arranjar outro emprego! Hoje respondo a uns anúncios, amanhã envio para CV para a BershKa!!
12 noviembre

Atitude Corto Maltese

La Cumparsita (Tango argentino)

I

Si supieras
que aún dentro de mi alma
conservo aquel cariño que tuve para ti.
Quién sabe si supieras
que nunca te he olvidado
volviendo a tu pasado
te acordarás de mí.

II

Los amigos ya no vienen
ni siquiera a visitarme
nadie quiere consolarme
en mi aflicción.

Desde el día que te fuiste
siento angustias en mi pecho
decí percanta ¿qué has hecho
de mi pobre corazón?

III

Al cotorro abandonado
ya ni el sol de la mañana
asoma por la ventana
como cuando estabas vos.
Y aquel perrito compañero
que por tu ausencia no comía
al verme solo, el otro día, también me dejó

I bis

Sin embargo
te llevo en el recuerdo
con el cariño santo
que tuve para amar.
Y sos en todas partes
pedazo de mi vida
una ilusión querida
que no podré olvidar.

 

Ao Pichusinho

Estava preocupada contigo. Não respondias às minhas mensagens. Dizes que tens tido muito trabalho. Acredito. Sempre te disse que trabalhavas de mais. Continuas a fazê-lo. Perguntas se está tudo bem comigo. Respondo que sim. - Com essa voz? Digo que tenho andado constipada. Finges que acreditas ou acreditas mesmo? Perguntas pela minha mãe. - Está tudo na mesma. Pergunto quando vens ao Porto. Dás-me uma data, a próxima quinta. - Tenho de trazer muita roupa para a minha mãe lavar e passar. Prometes um encontro. Ficarei à espera. Preciso muito de falar contigo. Tenho coisas para te contar. Um pedido a fazer. E saudades tuas.
07 noviembre

Adoptando a atitude Corto Maltese

Braços cruzados como quem espera o inevitável.
Olhar distante de quem já viu demais e raramente se surpreende.
Cabeça ligeiramente inclinada sem prestar muita atenção a quem me fala.
E um tango a tocar ininterruptamente no pensamento.
 
 
 
 
 
 
04 noviembre

Estava-se mesmo a ver...

Anfíbios (gr. amphi = dupla + bios = vida)
02 noviembre

Os vivos entre os mortos

Percorre os corredores de pedras lapidadas, ligeira, Dona Augusta, olhos no chão, procura os conhecidos, de outros tempos, os seus, os do marido, entre as campas, olha as fotos, este é o senhor Josué, lembras-te dele, sim avó, era muito amigo do teu avô, foi ele que lhe arranjou emprego na fábrica, o teu avô era assim, muito querido, muito estimado, foi por isso que no funeral apareceu tanta gente, lembras-te da quantidade de ramos que havia no velório? Não avó, mas lembro-me do cheiro intenso a flores, lembro-me do enjoo que isso me causou, tal como me enjoa agora o cheiro da cera queimada, as pessoas discutem, não se deixam por velas nas gavetas durante o ano todo e chega a este dia toda a gente põe aqui a cera, não se admite, as gavetas estão a ficar escuras com tanto fumo, não se admite, tem razão diz Dona Augusta, de passagem para visitar mais um familiar, anda avó, não é nada contigo, mas aquela senhora tem razão, é proibido pôr as velas a arder aqui em baixo das gavetas, só que também não acho bem que estejam a despejar as velas alí na fogueira como estão a fazer, queres ir lá ver? Tenho outra hipótese? Vamos lá, Dona Augusta, segue ligeira, uma pilha de cera arde no meio do cemitério, vês? Eles tiram as velas das caixas vermelhas, deitam-nas alí no contentor para reciclar e depois atiram as velas para a fogueira, não acho certo, a Julinha diz que o que conta é a intenção, mas eu não acho certo que deixem queimar assim as velas, afinal elas são para os mortos, deviam arder devagar, não achas? Acho avó. Ainda bem que não trouxemos velas, apenas um ramo pequenino para pôr no copinho do avô, ainda não tinhas visto a nova casinha do avô, pois não avó, eu já estava a ficar muito sentida contigo por tu não vires aqui, e também porque não foste aos meus anos, desculpa avó, pode ter sido o meu último aniversário e tu não foste Andreia, avó mas estou aqui agora contigo e isso é que importa, os anos são apenas mais um dia de vida como os restantes e eu agora estou aqui, não achas avó? Tens razão, ainda bem que vieste, vês o raminho que mandei fazer para o avô, custou quatro euros, ainda é caro, pois é avó mas esta bonito, pois está, o avô havia de gostar de saber que estamos aqui, pois havia avó...