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29 noviembre

Bocas de gajas ressaviadas

Na rua, dois ex namorados encontram-se... GAJO - Olá menina... que mala gira é Lacoste ou compraste na Feira? GAJA - Meu querido... a única falsificação aqui és TU! (o gajo faz um riso amarelo e dá outro chuto na bola) GAJO - Estás igualsinha... GAJA - Tu estás mais barrigudo! (gajo fica atrapalhado e despede-se)
26 noviembre

STRESS

O coração acelera. Cresce um mal estar dentro do peito. Uma dor ligeira no coração. Depois tremores musculares. O estômago começa a apertar. Agudiza-se o mal estar dentro do peito. E de repente ideias absurdas povoam a mente. Atirar o computador pela janela. Gritar esquizofreneticamente. Os batimentos cardíacos aumentam. A dor no coração transforma-se numa punhalada. O corpo ressaca de horas passadas a fazer o que não lhe apetece. O cêrebro entope com tanto pensamento embaralhado. A única hipótese é fugir. Uma ideia absurda da mente. Mas a mais lógica perante todas as outras. Do arrumar das coisas à porta de saída é um instante. Uma corrida para a sanidade urgente. A tempo que o computador ganhe asas e voe pela janela. Rumo à serenidade.
24 noviembre

Pensamento da Madrugada

"Sinto-me tão isolado que sinto a distância entre mim e o meu fato", Fernando Pessoa

Segunda pessoa

 

Alguém diz tu. Alguém sem nome.
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tu à imagem que se esgarça,
à certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só o pronome, tu, a ondular-me na boca,
norte magnético num desespero em surdina.
És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos,
e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.

Óscar Lopes

14 noviembre

O meu mini-caixotinho

As mudanças de sala obrigaram ao arrumar da tralha num mini-caixotinho. Temporariamente sem armários na nova sala, as coisas lá ficaram no caixotinho. Livros oferecidos em diferentes apresentações. Relatórios de 300 e tal páginas em Inglês com dados sobre todo e mais algum aspecto da "cena educativa internacional". Estatísticas do Ministério da Educação. Agendas de 2001/02/03/04/05 e 2006. Blocos de notas repletos de depoimentos. Blocos com desenhos. Blocos rasgados. Blocos por usar. Duas colheres roubadas num qualquer café para comer iogurtes. Um vaso, a planta murchou há algum tempo... As sapatilhas da dança. Um t-shirt branca. Jornais amarelados. Um bonequinho anti-stress. Brochuras de congressos, conferências, exposições... Cinco anos de intensa actividade profissional. Empacotados. Resumidos. Sentidos. Abafados. Guardados num mini-caixotinho, a ser alojado permanentemente na minha sala de estar.

"As tascas do Porto, estórias e memórias servidas à mesa da cidade"

Sem cerimónias arranjam-se as mesas. Estendem-se as toalhas aos quadrados. Colocam-se os pratos, copos e guardanapos. Estamos no Pedro dos Frangos, uma churrasqueira situada na Rua do Bonjardim, uma das mais emblemáticas ruas da Baixa do Porto. Alguns traços típicos ainda lembram um outro tempo, o do senhor Pedro, o velhote antigo dono do tasco, falecido há 27 anos. A casa, a caminho da meia-idade, é agora gerida por um sobrinho do “fundador”.  Repleta de gente, a meio da tarde, serve o espaço para a apresentação de um livro: “As tascas do Porto”. A obra de Raul Simões Pinto, com fotografias de Gabriela Felício, publicada pelas Edições Afrontamento, é um inventário das mais castiças tascas portuenses. “Uma última oportunidade” para preservar a memória de uma “instituição cívica”, nas palavras de Hélder Pacheco, historiador portuense e investigador. Coube-lhe a apresentação do livro. Vistos como lugares de “suspeição moral”, a história das tascas não conta apenas desgraças de “borrachões” nem de “manguelas”. Vistos pela burguesia como “lugares de vícios”, as tascas foram “espaços de liberdade” operária no século XIX. Mas também desempenharam um papel social. “Era nas tascas que se faziam as caixas dos 20 amigos, mealheiros onde os frequentadores poupavam uns tostões ou pediam empréstimos: “Para enterrar um parente, para casar um filho, para organizar um passeio, quanto mais não fosse a Lisboa… ”, recordou Hélder Pacheco. “A parte mais pobre da cidade tinha na tasca um sustentáculo cívico.” Um passado repleto de outras “estórias” que, segundo Hélder Pacheco, já não se contam no presente. “Há que ser realista, as tascas como lugares castiços vão deixar de existir, umas já fecharam, outras vão fechar, outras ainda podem sofrer uma operação de cosmética, mas vão acabar por morrer.” Perante este cenário, a pertinência da obra não carece de mais justificação. São 255 páginas com fotografias que mostram as tascas que ainda resistem. E contam as vivências dos fregueses que por enquanto não as deixam fechar.   Andreia Lobo Jornalista Texto publicado no blog Dia-a-Dia, em www.apagina.pt
12 noviembre

Não sou DEUS

Não tenho assim tanta bondade para te perdoar. Nem bondade, nem vontade. Destruiste toda a beleza que havia em mim. As tuas palavras rudes ensurdeceram a minha alma. Sofrimento desnecessário. Decrescimento. Porque grande era eu, na minha inocência. Crente na felicidade. Depois de ti tudo ruiu. Pior. Só tu me podias ter levantado do chão. Pisaste-me ainda mais. O desprezo. A arrogância. Plantaste um semente podre no meu coração. E porque a terra era fresca ela floresceu. Tornou-se uma árvore de frutos negros. Não têm sumo. Nem sabor. São secos como o carvão. Mas quando caem à terra não voltam a ser semente. O terreno é infértil. Não sofro. Mas não sinto. Não choro. Mas não sou capaz de me alegrar. Não te perdou-o. Não te posso perdoar. Não sou DEUS. Não tenho bondade. Nem vontade.

É impossível perdoar

eu nunca quis ter razão... só quis ser feliz com a pessoa que amava... foi por isso que lutei... o importante para mim era só não te perder, ainda que por isso me tivesse perdido...

A contrição tardia

Não devia ter desconfiado de ti... não devia ter tido ciúmes dos teus amigos... não devia ter deixado que tu te humilhasses ao andar atrás de mim... esse foi o meu maior erro... Andreia também foi com a Lara que percebi que tinha um problema grave de lidar com o amor, sou possessivo, ciumento, controlador... errei muito contigo. espero que um dia me possas perdoar todo o mal que te fiz. lembras-te de eu dizer que as minhas relações não duravam? eu não percebia porque? Afinal quem precisava de ajuda especializada era eu, Eu andreia. sim és mesmo muito importante para mim... errei muito, se tivesse esta percepção podes acreditar que não te tinha feito sofrer... és muito especial para mim. estás no meu coração. Ivo
09 noviembre

Piratiada

Take What You Can...Give Nothin' Back (Jack Sparrow)
05 noviembre

A vida na sua melhor ironia

Sobreviveu a duas operações ao coração. A primeira de risco, a segunda de mais risco ainda. Já andava e por isso saiu à rua para aproveitar algum sol. Tinham sido meses e meses de dores e a recuperação ainda pesava. Vagarosamente atravessava a passadeira. Foi atropelada por um carro que não abrandou. Morreu instantaneamente.
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Acima de tudo era o trabalho. Um bem valioso para quem sustenta uma família. De poucos afectos. O filho de nove anos, o mais novo, era o seu menininho. Por ele aguentava o patrão, o stress, as viagens ao volante do camião, as horas sem comer, as refeições fora de horas. Guardava o filho no coração sempre que deixava a casa. Um dia teve um enfarte. Uma semana depois outro. O coração bloqueado ameaça deixar de bater. Pode não chegar a ver o filho crescer.
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A dedicação absoluta ao marido. A vontade de ter filhos. Era nisso que pensava ao abdicar do sonho de viajar para África numa missão de ajuda humanitária. Um dia o marido saiu de casa. O sonho com a maternidade foi desfeito. Mas ela já não tinha a garra de outros tempos. África era agora mais um sonho desfeito.
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Nunca quisera ser mãe. Nunca se achara em condições emocionais. Deixara um namoro de nove anos por não querer casar. Dois anos de vida egoísta chegaram para ver que tinha cometido um erro. Queria voltar ao passado, mas apenas lhe restava o presente.