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12月27日 Tempo para nadaHá um tempo para esvaziar gavetões
Há um tempo para pintar o cabelo
Há um tempo para fazer de novo
Há um tempo para conhecer pessoas
Há um tempo para culpar
Há um tempo para perdoar
Há um tempo para aprender uma língua
Há um tempo para adivinhar o futuro
Há um tempo para recordar o passado
Há um tempo para plantar tulipas negras
Há um tempo para podar rosas amarelas
Há um tempo para beber chá
Há um tempo para beber sangria
Há um tempo para apanhar um comboio
Há um tempo para escrever
Há um tempo para amar
Há um tempo para deixar
Há um tempo para tentar
E há quem faça tudo ao mesmo tempo e fique sem tempo nenhum
12月24日 Vou ser boa pessoa (mas só hoje!)DIA DE NATAL Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, de falar e de ouvir com mavioso tom, de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças. É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem, de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. Comove tanta fraternidade universal. É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, como se de anjos fosse, numa toada doce, de violas e banjos, Entoa gravemente um hino ao Criador. E mal se extinguem os clamores plangentes, a voz do locutor anuncia o melhor dos detergentes. De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu e as vozes crescem num fervor patético. (Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu? Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.) Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante. Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante. Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica. Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito, como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores. A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprar. Mas a maior felicidade é a da gente pequena. Naquela véspera santa a sua comoção é tanta, tanta, tanta, que nem dorme serena. Cada menino abre um olhinho na noite incerta para ver se a aurora já está desperta. De manhãzinha, salta da cama, corre à cozinha mesmo em pijama. Ah!!!!!!!!!! Na branda macieza da matutina luz aguarda-o a surpresa do Menino Jesus. Jesus o doce Jesus, o mesmo que nasceu na manjedoura, veio pôr no sapatinho do Pedrinho uma metralhadora. Que alegria reinou naquela casa em todo o santo dia! O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, fuzilava tudo com devastadoras rajadas e obrigava as criadas a caírem no chão como se fossem mortas: Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. Já está! E fazia-as erguer para de novo matá-las. E até mesmo a mamã e o sisudo papá fingiam que caíam crivados de balas. Dia de Confraternização Universal, Dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de Sonhos e Venturas. É dia de Natal. Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. Glória a Deus nas Alturas. António Gedeão
12月23日 Sem puxar muito pela cabeçaContinuo a escrever, sem puxar muito pela cabeça, pois, de facto, não a tenho. Devia ter entregue um artigo ontem. Isso não aconteceu. Devia tê-lo terminado hoje. E voltou a não acontecer. Tentarei acabá-lo esta noite quando estiver sentada na minha cama, de roupão vestido e com o saco de água quente nos pés. É provável que a minha tentativa fracasse outra vez. Amanhã será véspera de Natal e se tivesse cabeça só pensaria no trabalho e restantes preocupações. Talvez fizesse aquele balanço habitual sobre o que correu mal este ano. Talvez fizesse planos para magicar 2007 de forma mais pacífica. Assim, como optei por deixar que me removessem a cabeça, passarei a noite da consoada sem pensar em nada. E a comer e beber como uma desmiolada! 12月22日 Sem cabeça para o NatalDeixei de ter cabeça para aqueles discursos natalícios efusivos e para os cafés e jantares de Natal em que, à última hora e com o ano mesmo no fim, alguns atarefados tentam compensar os amigos da ausência com que os brindaram durante os outros dias do calendário. Mas como também não tenho cabeça, sinto uma enorme vontade de desejar que 2007 seja o ano em que aconteça tudo o que era suposto ter já acontecido em 2006, mas não aconteceu!! De cabeça perdidaEstou completamente recuperada da operação. E feliz como nunca!!! Ontem dei carta branca à minha amiga Carina para que me abrisse os gavetões da cómoda e me livrasse de toda a roupa "não fashion" que alí se encontrava há anos. Entre peças dignas de estar expostas num Museu (a camisola que era da avó, a blusa que a mãe me comprou na loja dos chineses, a camisa vermelha aos folhos que a tia me deu nos meus 18 anos) e outras que nunca deveriam ter sido compradas (a camisola de malha cor de baba de camelo com mangas à boca de sino), pouco sobrou. O tufão Carina tudo varreu para dar aos pobresinhos, porque a época apela à caridade. Hoje acodei de gavetão vazio, mas de alma cheia. Quase não tinha o que vestir, por isso, foi com alguma facilidade que me decidi pela t-shirt branca e o blusão castanho. Rapei um frio do caraças, mas estou MARAVILHOSA! (Parafraseando a minha querida Carina) 12月20日 Recobro IVSinto o peso do trabalho acumulado nos ombros, mas continuo sem cabeça para escrever. Consola-me o facto de já não perder tanto tempo de manhã a arranjar o cabelo e a pôr as lentes de contacto. Hoje senti pela primeira vez, desde a operação, a exclusão pelo meu estado físico. Uma colega de trabalho criticou o facto de eu não estar a ser suficientemente produtiva: "Lá por não teres cabeça, não significa que não tenhas responsabilidades!" Eu, limitei-me a encolher os ombros. É o que faço melhor nestes dias. Pois se foi para me livrar das responsabilidades que deixei que me removessem a cabeça, o que ela queria? 12月18日 Recobro IIIDeram-me hoje alta do hospital. E, como não tenho cabeça nenhuma, decidi ir trabalhar. Quando entrei na redacção qual não foi o espanto do meu chefe: "Você perdeu a cabeça?", perguntou-me ele atordido. "É um facto!" Ele permaneceu no meio da sala a olhar para mim com cara de quem nunca viu. E eu limitei-me a lembrar-lhe que já há dois meses me andava a lamentar que andava sem cabeça para o trabalho. Ele, que ainda tem cabeça, lembrou-se vagamente da minha queixa. E retorquiu: "Então e agora o que faço eu consigo?" E eu encolhi os ombros e disse-lhe que não matasse a cabeça. Alguma coisa lhe havia de surgir! Eu é que não tinha ideia do quê! 12月17日 Recobro IIDevo ter alta na terça-feira. Estou muito feliz. Ao contrário da maioria das pessoas que nesta época é afectada pelo espírito natalício. A mim ele não me apanha. Não há tristeza que me pegue depois da operação. O médico acabou de sair do meu quarto para me felicitar pela minha decisão de seguir de ora avante pelo caminho da FELICIDADE. Agradeci. Ele também não tem cabeça. Aliás, aqui no hospital a maior parte do pessoal médico e de enfermagem não tem cabeça o que é óptimo. Tem tornado a minha adaptação a este novo aspecto muito mais fácil. 12月16日 RecobroEste é o meu primeiro post pós-operatório. Sinto-me bem. Uma ligeireza cerebral como nunca tinha experimentado. Tenho é dores de costas. Já que não posso ter enxaquecas. 12月15日 O caminho da FELICIDADEEscreve-me até ao final do dia. Se tiveres ainda algo para me dizer. Algo que precises verdadeiramente que eu entenda. Ou então, indispensável para que nada fique para trás sem explicação. Não guardes para amanhã, o que achares que podes dizer hoje. Porque eu tomei a decisão de seguir o caminho da FELICIDADE. E como tu e eu sabemos, para isso, vou ter de me sujeitar à OPERAÇÃO de remoção da CABEÇA. A intervenção está marcada para esta noite. Às 24h. Depois de uma anestesia geral, acordarei amanhã livre de preocupações e de desilusões. Restam-me apenas algumas horas de profunda tristeza que decidi passar junto dos amigos que mais falta vão sentir das minhas ideias. Vou tentar deixar escritas algumas memórias destes 29 anos de inteligência. Só para que me recordem como alguém que, a seu tempo, pensou de mais, sonhou de mais, agiu de mais e quis tanto mais daquilo que não lhe era devido que se esgotou. Esgotada. Até que decidiu o que humanamente era esperado de alguém que não é deste mundo: ser FELIZ até ao pescoço!!!!! O que realmente é importante...NÃO PERDER O EMPREGO! 12月14日 Caneta verdeTenho a tua caneta verde pousada na mesa. A minha colega de trabalho pede-me uma frase para escrever no postal de Natal que vamos enviar aos nossos colaboradores. Pego na tua caneta verde. Numa folha. Escrevinho uma espiral. Ela levanta-se e vem ver o que escrevo. Ri-se. "Foi isso que pedi? Desenhinhos?" Pouso a caneta. Ela sai para fumar um cigarro. Eu abro o iTunes. Ponho a tocar ininterruptamente o Angel, da Sarah McLachlan. Volume no máximo. Que o chefe já saiu. Pego na caneta. Tiro e meto a tampa com uma só mão. Um tique para acalmar o stress. E apressar a inspiração. Penso em todas as canetas que me querias dar. A tralha que querias fazer desaparecer da tua casa para a minha. Rio-me. Na pior altura possível. Aquela em que a minha colega entra. "Então jeitosa, essa frase sai ou não? Quero-me ir embora!" Sorrio. Digo-lhe que não me vem nada à ideia. Ela ri também. "Podíamos escrever assim: Escreva Sempre!" A ideia não é má. Lembro-me do trabalho que me dão os textos que me chegam dos colaboradores. Quando vêm com texto a mais. Têm de ser devolvidos ao autor e reduzidos. Então acrescento à frase da minha colega: "Não mais de 4 mil caracteres!" E de repente damo-nos conta que "havemus frase"! Tiro a tampa à tua caneta verde e volto às espirais. Querias tu que trouxesse os chás... os tabuleiros... os blocos... Acabei por trazer o que não queria. Uma grande confusão. Uma nostalgia média. Um pequeno arrependimento. E uma caneta verde para assinar os postais de Natal. Quando eu crescer não quero ser finlandesa!Mais uma reportagem televisiva sobre a Finlândia. Esse país frio e sem sol está-se a tornar uma obsessão para os portugueses. Tudo começou com a visita do Sócrates àquelas paragens. E há-de terminar com cada português a fazer as malas e a imigrar para a Finlândia para arranjar emprego na Nokia. A mim não me convencem a ir para lá. Mas gostava que o nosso primeiro-ministro se convencesse a investir mais no sector público, para termos hospitais e escolas públicas como existem na Finlândia com serviços personalizados e de qualidade, sem listas de espera e com profissionais respeitados e bem remunerados. Em Janeiro, o nosso jornal publicará mais um pedaço de informação sobre o sistema educativo finlandês. Não para dizer mal dos professores portugueses. Apenas para mostrar que o que lá se faz, também se faz por cá. Com menos condições e mais boa vontade. O sector privado no que toca ao ensino é na Finlândia, quase inexistente. O ensino público é tão eficiente que o outro não tem razão de existir.
Se a Finândia servisse de exemplo ao Governo... é que era bom, talvez não recorresse tanto ao aumento de impostos para resolver as "crises", talvez não reclamasse tanto pela baixa produtividade, talvez percebesse que o trabalho pode ser organizado de outra maneira - podíamos trabalhar menos horas e ter mais tempo para a vida, quem sabe se não é essa a solução para o aumento da tão falada produtividade? - e assim talvez ninguém tivesse de imigrar para a Finlândia. Eu, por mim, fico por cá. Onde apesar de tudo as pessoas encontram espaço para "socializar" e onde as taxas de suícidio são menores que nos países nórdicos, onde se inclui a tal Finlândia. Alguém mais fica comigo? 12月13日 Chora-Que-Logo-Bebes“- Que a paz e a estupidez sejam contigo. Vens preparado para a operação? - Que operação?- interrogou João Sem Medo, suspeitoso. O descabeçado, de cigarrilha na boca do estômago, expôs-lhe então com paciência burocrática: - Ninguém pode seguir o caminho da Felicidade Completa sem se sujeitar a este programa bem óbvio. Primeiro: consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião, nem criar piolhos ou ideias perigosas. Segundo e último trazer nos pés e nas mãos estas correntes de ouro... João Sem Medo ouriçou-se numa reacção instintiva: - Nunca! Bem se vê que não tens a cabeça no lugar... - Ainda tens talvez outra hipótese. Invocar o parágrafo 100 do artigo 4579 do Regulamento Interno e requerer a concessão que todos os Homens de Representação Pública costumam obter automaticamente em virtude das exigências estéticas do seu cargo. Isto é: em certos casos especiais, os cirurgiões, em vez de degolarem os felizardos, sugam-lhes os cérebros por palhinhas, deixando a casca por fora intacta, para inglês ver...” José Gomes Ferreira, Aventuras de João Sem Medo Querido Pai NatalTenho de fazer uma rectificação a pedido do Couto... Afinal, ao contrário do que supos, ele não quer uma "menina" de presente, pede que tragas antes a Paz ao Mundo que deve ser mais fácil do que andares atrás de meninas para ele! Amores-PerfeitosNão chovia. A surpresa ao subir a persiana fê-la sorrir. Há três dias, sem contar com aquele, que se levantava com chuva. Sentou-se na cama ainda a pensar em dormir mais cinco minutos. Desistiu. O que vestir? Abriu o gavetão para tirar a camisola de malha preta. Vestiu-a. Olhou-se ao espelho. Não. Hoje o dia pedia menos escuridão.
Tirou a camisola e voltou a dobrá-la. Vestiu uma camisa branca. Desencantou do guarda-vestidos um casaco branco. Voltou ao espelho. Sim, agora sim. Mas antes… Ainda arranjou uma carteira também branca. E só depois saiu. Manhã fora. MP3 nos ouvidos. A tocar “Linger” dos Cranberries no modo “repete”. Desceu a rua como sempre. Apressada como de costume. Sem olhar para nada. Concentrada no som que ecoava pelos auscultadores: “But I m in so deep… You know I'm such a fool for you”.
Ao passar pelo jardim, porém, reparou nuns jardineiros aninhados junto aos canteiros. Plantavam qualquer coisa. Abrandou o passo para ver. Amores-perfeitos. Estavam a plantar Amores-perfeitos. A sua flor preferida. Na infância, quantas vezes o seu avô assaltara a seu pedido o jardim perto da casa onde moravam para roubar à terra um Amor-perfeito. Olhou-os. Não ia arrancar nenhum. Tirou da carteira o telemóvel e baixou-se para fotografar uma das flores. Pôs a foto no ecrã e ao ver a imagem o seu pensamento voou. Continuou a caminhada até ao trabalho. Mas a manhã passou sem que tivesse concentração para alguma coisa. A não ser… Pensava em alguém especial. Veio a tarde. E passava lenta. Lentamente. Já não tinha os auscultadores mas a música tocava ininterruptamente na sua cabeça. “But it's just your attitude… It's tearing me apart… It's ruining everything.” Não era um namorado... Talvez fosse mais que um amigo. Alguém que, por acaso, tinha entrado na sua vida. Alguém que nela permanecia talvez por necessidade. Mas naquele dia… ele tinha permanecido no seu pensamento. E de uma maneira fora do normal. Da memória surgiam imagens dos dois. Eram situações muito comuns que ganhavam subitamente uma cor diferente. Como se uma lente negra tivesse sido retirada da objectiva que as captara. A tarde em que tinham ido ao tasco comer bifanas… agora apercebia-se que tinha sido a tarde em que ele lhe tinha dado a mão por baixo da mesa. A tarde em que ele confessara ser arisco e em que ela lhe prometera arranjar um livro sobre gatos para o entender melhor. A noite em que eles saíram com os amigos dele… Era agora a noite em que ele a tinha incluído num programa só de rapazes, para não ter de a deixar sozinha em casa, apesar de ela ter dito que ficava a ver televisão.
Eram estes pensamentos que não a deixavam trabalhar. E foram estes mesmos pensamentos que a levaram a deixar o emprego uma hora antes e a ir ter com ele. Apareceu de surpresa. Chegou à porta do emprego dele e enviou um sms: “Comemos um pão com rissol?” Era algo que já costumavam fazer… Ele desceu à hora marcada pelo cartão de ponto. Ela esperava ansiosa. Foram até ao café. Mas, ao contrário do costume, ela não conseguia falar. Tirou o telemóvel da bolsa e balbuciou: “Pensei muito em nós esta tarde… e descobri que gosto de ti.” Ele olhou-a com surpresa e tentou dizer alguma coisa. “Mas…” Ela desconcentrou-se e ripostou: “Mas nada… deixa-me falar!” Ele recostou-se na cadeira. Ela perdeu a pica. E enviou-lhe uma imagem por mms. Ele abriu a mensagem e perguntou o que era. “Somos nós, percebi isso hoje de manhã!” O ecrã mostrava uma flor garrida amarela. “Desculpa, mas não sei o que isso é… é uma planta?” Ela suspirou meia chateada. “Olha, esquece, vou embora…” E levantou-se de repente. Ele deteve-a pelo braço. “Espera, não me dizes o que é?” Outro suspiro. “Vais ter de ser tu a descobrir, como eu descobri…”
Ele olhou-a fixamente ainda sem perceber o que lhe estava a acontecer. Mas ao vê-la decidida em ir embora achou por bem não insistir para que ela lhe desse mais alguma explicação. Com ela era assim. Nas discussões, não conversava. Fazia monólogos e saía disparada batendo as portas com força. Ele adorava. Mas fingia que não. Então ela saiu triunfante e furiosa do café. E ele, como de costume, não foi atrás dela. Permaneceu sentado na cadeira. Olhava para a flor. Estava intrigado. Pagou a despesa e foi para casa. Ela tinha encontrado o Amor-perfeito. Ele também. Viria a descobrir isso nessa mesma noite, depois de um longa pesquisa no Google. 12月7日 Um ano no casarão? Dois!Mudei-me para o casarão em Novembro de 2004. O tempo passa. Passando. Passado. Mas sim lembro-me... De ter a casa vazia. Do Jorge me ter ajudado na mudança. Do Paulo me ter dado um apoio incondicional, apesar de o estar a decepcionar. Das amigas terem estranhado. Da minha mãe ter desconfiado. Lembro-me que queria pôr a sala toda verde. Pois já tinha decorado a casa-de-banho a vermelho e o quarto a azul. Lembro-me dos jantares com a Sandrina e a Verónica, as três sentadas na cama com um plástico a fazer de toalha para não sujar o edredão. Lembro-me de ter pedido mobília e de o Pai Natal da Claudia me ter dado uns catálogos, uma vassourinha e um apanhador, uns paninhos, mais uns acessórios de limpeza extra. Dois anos depois ainda tenho o líquido para os vidros... E dura... dura... O meu primeiro calendário, oferta do Paulo, foi do Gaudi. Deu-me também uma agenda a condizer. O Jorge deu-me uma cadeira azul. A Eugénia deu-me um vaso de vidro e ferro com folhas alaranjadas de vidro. O Daniel deu-me um bonsai.
Um ano depois estava a enjoar da casa-de-banho vermelha. Dois anos depois a enjoar do quarto azul. Agora junto dinheiro para decorar a casa toda a branco. Cortei as cortinas do varão que o Paulo pregou à parede só para não ter de o tirar. Já tenho mobília na sala. Já tenho sofá-cama, para poder receber as visitas. O casarão foi o palco da minha vida. Tal como todas as casas são. Mas como diz um amigo meu - que ainda não conheceu a minha toca - "de que serve uma casa se não a podemos encher de amigos?" Por isso... O casarão é vosso. Serão sempre bem-vindos. 12月1日 Querido Pai NatalNão te esqueças de enviar uma menina ao Couto. Ele não definiu bem as características, mas pelo que conheço dele, acho que quer uma "boa" menina, bonita, que não use muita maquilhagem, que tenha piada, goste de sair, não seja ciumenta e o trate como um princípe, sem exageros que ele não gosta de meninas melosas. Também não te esqueças do Jorge que manda pedir uma loira de olhos azuis e 1.80m de altura. Mas, Pai Natal, acho melhor não ligares muito às caracteríscas que o Jorge descreveu, vai por mim, arranja-lhe uma menina que goste de chá de menta, de conversar até às tantas da manhã e que lhe dê muita alegria. Para mim.... Pai Natal... não sei bem o que pedir. Não me tragas mais sapos! Nem vampiros. Também não quero feiticeiros. Traz-me este ELFO! |
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