4月29日
Numa tarde em que passeava à beira mar, encontrei o meu pai no sentido inverso ao meu. Sentamo-nos num degrau a beber cerveja. E a falar. Os sacrifícios que fez para nos criar, as frustrações de não ter uma vida melhor, uma casa maior, um bom carro, mais dinheiro.
- Pai, tens dois filhos que te amam e que te admiram, que tiraram os cursos que queriam e trabalham no que lhes dá prazer graças a ti. Nós somos o produto desse teu trabalho, somos o teu suor encarnado em esperanças de vidas mais felizes.
- Andreia, é só isso que eu tenho na vida!
4月25日
Havaiana no pé... Jardim Noturno, de Vinicius de Moraes, na mão, assim de cura uma depressão...
4月23日
Mas não vou perder a guerra!
4月15日
Lembro-me de uma t-shirt de uma amiga minha luso-brasileira que dizia: "EU TRAGO O MEU BRASIL NO PEITO"... A esta hora o Rio de Janeiro já conhece o meu irmão. Deve estar neste momento em Copacabana e a pensar em como aumentar o PIB brasileiro... A andar pelo Calçadão e a pensar na inflacção. O Rio, lembro-me de um poema do carioca Vinícius de Moraes... que é a cara do meu irmão e a minha que sou sua irmã.
Todas as namoradas que eu já tive... (s/ título)
Todas as namoradas que eu já tive
Estão noivas
Uma só dentre todas não está noiva
Casou-se.
Nenhuma se lembra mais de mim
As que tiveram meus beijos evitam meus olhos
As que tiveram minha afeição riem mal de mim
E beijam furtivamente os noivos nos cinemas e nas praias
Todas têm meus sonetos de amor
Com promessas ardentes de constância e fidelidade
Todas têm meu retrato
O retrato do menino risonho que eu já fui
Com todas eu gastei algumas horas do dia
E algumas horas da noite
Todas estão noivíssimas
E são apenas meninas sem juízo fazendo o que querem
Dando aos namorados anteriores a satisfação social do noivado
E exibindo o noivo bonito aos olhos das moças sem namorado.
Algumas eu estimei sinceramente
Sem grandes palavras mas com olhares francos
Olhares que eu estudava nos bondes com outras
Para fazê-los ainda mais verdadeiros
Com outras me diverti
Passeando horas e horas braço com braço
Com palavras grandes e pequenos olhares
A todas eu feri inconscientemente
As que eu beijei e as que eu não beijei
As que eu beijei porque um dia não quis beijar
As que eu não beijei porque um dia quis beijar.
Vi-as fugirem todas de mim
E me vi fugindo de todas elas
Vejo-as agora aqui e ali ontem e hoje
A casada, com um filho
As noivas, com brilhos maternais nos olhos
Futuros infelizes para o mundo
Vejo-me por momentos pai de família comprando brinquedos
E a satisfação de estar só é tão grande
Que no fundo eu estimo sinceramente todas essas meninas
Que estão noivas e serão muito felizes
E a que está casada e não é feliz mas faz que é
E me estimo mais, ainda, a mim próprio
Que estou só, feliz e só, com os meus amigos e com a minha boemia discreta.