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    April 27

    Lindo

     

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    Falar sobre YouTube - Tarja Turunen - Ave Maria - Live In Lahti (12.12.06)
      

    Since you were gone...

     

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    Falar sobre YouTube - I Walk Alone - Tarja Turunen
       

    Post it to Heaven, notes from Hell

    De repente. Pensei em ti. Lembrei-me de nós. Fui buscar as nossas conversas ao Msn. Curioso nunca me ter lembrado antes de que estavam gravadas. Reli as tuas palavras. As nossas conversas de madrugada. Quando nem tu e eu dormíamos na mesma cama. Reli as minhas palavras. De despeito pelo modo como ás vezes me impedias de estar contigo. As tuas. De aborrecimento. Quando inventada trabalho para que não viesses. Lembro-me do que não dizíamos porque não achavamos necessário. Do que deixavamos à mostra nos ícons. Um coração. Um sorriso. Uma lágrima. Recordo essencialmente a ideia que tu e eu tínhamos de que haveria tempo. Não tínhamos pressa de que a vida acontecesse connosco. Haveria tempo. Não houve. Foi uma surpresa. Tenho tanto medo de não ser feliz. De não ser capaz de perceber que também tenho direito a um final feliz. A Cinderela perde o sapatinho, mas o Príncipe acaba por lhe achar o pé. A Branca de Neve entala-se na maçã, mas não morre porque o Príncipe aparece a tempo de a salvar. Eu beijei-te, mas apesar da nossa história não ter tido um final feliz, sei que te transformaste num Príncipe.
    April 25

    La Extrangera -6

    21 de Abril - Um dia perfeito (amente) normal
     
    Acordo em Zaragoça, na cama com a Sónia. E, não a torcaria por nenhum rapaz. Ela desperta e dá-me os parabéns! Digo-lhe que estou num cenário perfeito para o melhor dia de aniversário. Estamos em casa da Maricarmen. Uma casa antiga recuperada pela dona, divisão a divisão, num estilo cinematográfico "Residêncial Espanhola" (o filme).
     
    Saímos para o pequeno-almoço. Mas os cafés em Espanha são uma decepção. Não existem pastelarias, nem montras de pasteis a granel. Numa vitrine pequenita apenas uns donuts e uns croissants com aspecto manhoso. Tomo uma meia de leite e servem-me um croiassant num prato com faca e garfo. Incrível. Pior. Em Espanha a lei anti-tabaco é uma quimera. Fuma-se muito mais do que em Portugal e os cigarros são permitidos em todos os lugares, nos que não são, fuma-se na mesma. No pasa nada!
     
    A tarde será de compras. Montras. Lojas. Experimentar vestidos. Almoçamos num sítio guay. Não tenho ganas de me ir embora. Mas tenho um bilhete de retorno e uma camioneta à minha espera às 17h45 em Zaragoça e outra às 23h em Madrid. Doze horas de viagem para um sítio onde não queria ir. Só pode ser masoquismo!
    April 23

    La Extrangera - 5

    20 de Abril - O último galão de Vali
     
    Todos os dias, Vali, o namorado da Sónia, faz o pequeno-almoço antes de sair para o trabalho. Habituamo-nos a tomá-lo os três para aproveitar essas primeiras horas do dia para conversar. Há sempre tanto que dizer e explorar. Por vezes pegamos em palavras e passamos um rato a descobrir se são parecidas em português, romeno e espanhol. Tendo os nossos idiomas o Latim como base comum, damo-nos muitas vezes conta do quão parecidos são alguns termos. O que nos satisfaz imenso.
     
    Desde que esteve no Porto, na Páscoa, com a Sónia, Vali aprendeu a fazer uns galões fenomenais. E todas as manhãs me presentei-a com um galão duplo. Um copo de coca-cola cheio de leite com café, bem escuro. Fenomenal. Junta-lhe umas torradinhas com manteiga e doce, de puta madre! E faz-me sentir no Céu.
     
    Vali, estudou na Roméria para ser "cura", ou seja, padre. Falta-lhe apenas um ano para completar os estudos, mas encerra muito de divino. Oferece-me um "santinho" romeno que guardo no bolso das calças. Deus cabe em qualquer sítio. Pergunto-lhe se será legítimo levar a Bíblia para ler na casa de banho? Vali, diz que não acredita que Deus se zangue por isso.
     
    Hoje tomo o meu último galão com Vali. Vou ter saudades deste rapaz que tão bem trata a minha amiga. Deixo-o como se de um irmão se tratasse. Com um abraço forte e uma graça a Deus por nos termos conhecido.

    La Extrangera - 4

    18 de Abril - Sin rastro
     
    Voltamos a Villarluengo para a inauguração de uma exposição de fotografias de pássaros da região de Maestrazgo e umas jornadas sobre "rastros". As fotos, fruto do trabalho amador, mas dedicado de um agente de protecção ambiental da Comarca, foram doadas em prol da comunidade e ficarão à guarda das edilidades. Talvez se venham a organizar exposições itenerantes, noutros povos em redor.
     
    A participação dos privados e pessoas anónimas na doação de bens culturais em favor do bem público é algo que acontece com frequência por esta região. Dias antes desta doação de fotos, um casal de coleccionadores de fósseis doara a sua vasta colecção à Comarca. Esta responsabiliza-se pelo bom aproveitamento dos espólios e pela sua mostra à comunidade. No caso dos fósseis, a sua classificação ficou a cargo de alguns paleontologistas da Universidade de Zaragoça, cabendo aos funcionários que trabalham no departamento cultural e de defesa do património a organização e divulgação da exposição, bem como a posterior elaboração de materiais didácticos que acharem convenientes.
     
    A propósito da doação das fotos, foram chamados dois investigadores especializados em "rastros" para umas horas de palestra sobre o tema. A minha atenção foi para José Lagares, um ornitólogo da região. Adverso às apresentações modernas em power point, o investigador apresentou uma série de slides de "rastros" de pássaros. Rastros, são vestígios da presença ou da ausência de determinada espécie numa determinada zona geográfica. Podem ser de vários tipos: ninhos, penas. pegadas e excrementos. Há que analiza-los e identificar os seus autores. Uma tarefa que, no caso dos excrementos pode ir até à análise dos alimentos que lhe deram origem.
     
    José Lagares é claro e conciso. O investigador que lhe segue é mais moderno, usa o portátil, mas é tão raro, com uma aparência de Indiana Jones da caca dos maniferos misturada com a de Pirata das Caraíbas, com o pormenor do brinco na orelha, que não lhe consigo prestar atenção ao palavreado. Fixo no aspecto e penso que tenho saudades de ler as aventuras do Corto Maltese.
     
    Horas depois da palestra, iniciamos uma excursão pela montanha, para uma aula prática de procura de rastros. Mais tarde entrevistarei José Lagares para confirmar a minha suspeita: é um tipo muito inteligente. O outro é... raro. Mas consegue-me por a cheirar um excremento de um pássaro para me provar que se trata de uma caca com cheiro a peixe, portanto de uma determinada ave, cujo nome não apanhei, porque estava distraída a pensar que me cheirava antes a marisco. Mas vai daí podia apenas ser fome. Por isso saco do bocadilho que a organização oferecera a cada participante e ponho-me a dar ao dente "sin rastro".
    April 22

    La Extrangera - 3

    17 de Abril - Em Villarluengo, um pueblo na mais profunda Espanha
     
    Villarluengo ficou recentemente conhecido pela participação de um dos seus habitantes num concurso televisivo intitulado: “Granjero Busca Esposa”. Conta-me Sónia que submetem algumas mulheres à dureza idílica da vida do campo para que no fim o agricultor possa encontrar a mulher dos seus sonhos, a sua esposa. Mas que o programa acaba por dar uma má imagem da vida nas zonas rurais.
     
    Esta aldeia, uma das mais castiças que visitei estes dias, situa-se nas zona montanhosa. É um povo de casarios em piedra seca. Um tipo de construção que utiliza uma técnica típica destes povoados a pedra sobre pedra, sem argamassa para a junção. O pueblo situa-se na escosta da montanha. E no sítio onde termina o planalto e começa a encosta fizeram uma praça chamada “El Balcón de Forasteros”. Vou até lá.
     
    Deito-me em cima de um muro baixinho com um alto gradeamento, para impedir que a gente caia encosta a baixo. São treze horas e o sol esta ligeiramente mais forte. Não há vento, por isso faz calor. Subo a camisola até ao peito. Apanhar um bronzeado montanhês não é coisa para muitos. Aprecio a encosta desde dalí deitada. E sinto-me rara. Sinto-me única. Preciosa. Não é vaidade. Mas um sentimento de imensidão a condizer com a altivez montanhosa.
     
    Deixo passar as horas enquanto a Sónia está a montar uma exposição sobre rastros de animais da região, no Centro de Interpretacion. Um lugar muito cultural dentro de um povo com 200 habitantes.
     
    Em Espanha é assim. A gente dos pueblos tem infraestruturas. Mas faltam-lhes mulheres. Pelo menos é essa a queixa que 26 solteiros do pueblo apresentaram junto dos agentes culturais da comarca. Exigem que o governo local faça algo para por termo a tamanho descalabro. Propuseram um intercâmbio com a vizinhança feminina dos povos ao redor. A ver o que a comarca poderá fazer!
    April 16

    La Extrangera - 2

    14 de Abril – Ainda em Cella, mas de caminho para Cantavieja

    O cão da Berta segue-me para todo lado. Estou hospedada no quarto da sua dona. Por isso acredita que tem obrigação de me vigiar. Acho-lhe uma certa piada.  Porque se parece com Milú, o cão de Tintin. Faço-lhe uma festa ligeira e sigo para a casa de banho. Ele segue-me. Pára à porta.

    Pergunto-lhe se quer entrar e como não se mexe, mudo o idioma: “?Quieres entrar?” Ele diz que sim. Claro que não fala, mas abana o rabo que vai dar no mesmo. Então cedo-lhe a passagem. E fecho a porta. Passado “un rato” que é como quem diz, um bocado, ouço a mãe da Sónia: “¡Andrea, que no te pases, deja el perro fuera!” Com tristeza convido-o a sair. Aposto que queria tomar um duche comigo. Mas fomos apanhados em flagrante.

    Espera-me Encarna,  a mãe da Sónia, depois do banho. Digo-lhe que tinha posto a cafeteira do café ao lume. Ela zanga-se. Percebe que ando a beber café em doses industriais. Quer que reduza o consumo. Sugere que comece a habituar-me ao descafeinado. “Muy difícil”, retribuo. “Pero inténtalo”, ralha-me.

    Prometo obedecer-lhe. Sinto essa necessidade de ter uma mãe que mande em mim. Algo que Sónia não entende. Há uma palavra inglesa que explica muito bem este sentimento para o qual não encontro tradução nem em Português, nem em Espanhol: Mothering.

    De pijama Agatha Ruiz de la Prada, tomo o leite com café bem escuro, enquanto a ouço Encarna  descrever-me  os malefícios da cafeína. Como dois croiassants. E sinto-me no Céu.

    O pai de Sónia espera-nos para um passeio por alguns pueblos por alí. Vai levar-me a ver “las pistas de esqui en Valdelineares”.

    Não trouxe roupa lá muito de Inverno, apesar das advertências de Sónia. Desconfiei que em Aragão estivesse a nevar. Então visto uma camisola de mangas cavas e rumamos à neve, incrédula na sua existência. Gozo com a Encarna porque em Cella onde vivem os pais da Sónia faz um sol incrível. E calor. “¡Anda, muéstrame adonde está el inverno! 

    April 13

    La Extrangera - 1

    13 de Abril - Do Porto a Cella (Teruel) e enfim em casa
     
    Chego a Cella às 5 horas da manha. Tenho â minha espera um pijama que a mae da Sonia me deixou em cima da cama. Nao é a primeira vez que durmo nesta cama. Ainda me recordo do quanto adorei a almofada. Comprida. Dá para pousar a cabeça e agarrar ao mesmo tempo.
     
    Deito-me. E, sinto na pele a máxima: "Where I laid my head is home!" Acordo muitas horas de sono depois. 11 horas. Sou a última a levantar-me. Vejo Encarna, sorridente. Diz-me: "¡Hace tanto tiempo que te quería aquí conmigo!"Acaba de chegar da rua e já me presentei-a. Um pijama.
     
    A filha disse-lhe que nao trazia nenhum comigo para que nao me pesasse a mochila. Azul e cor-de-laranja. Lindo. Da Agatha Ruiz de la Prada. Tenho dois â escoha. O outro da Betty Boop. Fico com o mais justo. Porque me assenta bem e para o mostrar desfilo com ele pelo corredor.
     
    Encarna avisa-me: "¡Mira qe no eres para llevarte por la calle!" Sorrio. Vali, prepara o cafe. Está a tentar fazer galoes para todos. Poe leite com café em copos e já está! Saem 4 galoes! Comemos Pao de Ló.
     
    Seguramente que a casa dos pais da Sonia é a mais portuguesa de Espanha. Há um cachecol de Portugal pendurado na parede. Há um azulejo com o mapa de Portugal emoldurado. Sinto-me em casa. Em casa alheia. Vejo a estante de livros do pai da Sonia. El Extrangero de Albert Camus. Começo a lê-lo: "Hoy, mamá ha muerto." Empatizo com as primeiras linhas. Talvez o peça emprestado mais tarde. Agora vou dar um abraço à mae de Sonia. Um abraço "fuerte", como se fosse na minha.   
     
     
     
    April 11

    To Achmed the Dead Terrorist

    Bein hobi leeki we korhi leeki, kheit rofaya. Bein hobi leeki we korhi leeki, kheit rofaya - Ahibik Akrahik, Amr Diab
    April 09

    Se eu morresse

    Se eu morresse será que mudavas? A sério. Se me visses morta. Como os pais do Pedro o viram. Alí. O filho. Num caixão. Os amigos num desgosto incrédulo. Tanta dor numa capela tão pequena. O luto a transbordar as aparências. Será que mudavas? Perdias essa arrogância. Esse teu egoísmo. Ao veres o meu corpo inerte, num caixão. A Carina viria a minha casa, escolher a minha roupa. Confiarias no gosto dela, porque não sabes os meus. Como confiaste nos meus para escolher a roupa da mãe. Confiar não é a palavra adequada. É relegar. O que dirias aos meus amigos? Como justificarias tu a minha morte? E se alguém te aperecesse à frente a dizer: Ela sofria muito por sua causa e eu acredito piamente que ela fez isso para lhe dar uma oportunidade de valorizar mais o seu filho! Terias coragem para tal? Para mudar? Não acredito. Viste a minha mãe morrer. Viste-me abraçada a ela, a beijar-lhe o rosto sem expressão. Ouviste-me chamá-la numa esperança infantil para que voltasse à vida. O teu filho, na rua. Aflito a percorrer as ruas da cidade para aviar uma receita de morfina. Um alívio para uma tortura que não aconteceu. A minha mãe tão linda. Morta no meu chão preto. O que farias tu se eu morresse? Vinhas cá a casa com a pressa estúpida com que nos obrigaste a desfazer das coisas da minha avó, no mesmo dia em que a deixamos cremada no cemitério. Não irias saber que guardo diários, como eu sabia do Diário do avô. Não os guardarias, como recordação minha, como eu guardo o do teu pai, religiosamente. Tu és bruto. De uma brutalidade que não se molda a nada. E não há anti-depressivos que me protegam da tua estupidez. Chama o 112. Se eu morrer não te quero aqui na minha casa. Não te quero a mexer nas minhas coisas. Tratarei de as dar em vida e te poupar mais uma trabalheira. A mãe do Pedro em frente ao caixão do filho disse-me: Sou mãe de fim-de-semana. E tu? Que dirias à pessoa que me ama? Eu escrevo o que vais dizer: NUNCA FUI PAI!
    April 06

    Vende-se passado a quem não tiver presente!

    Vende-se recheio de vida! Mobilia de quarto oferecida por avó já cremada. Estantes montadas por ex-namorado habilidoso. Secretária Ikea comprada com a melhor amiga. Livros de culinária (a estrear) oferecidos pelo tio Carlos. Vasos de tulipas murchas plantadas quando a minha mãe estava viva. Leitor de DVDs oferecido por ex-marido que era Biólogo. CDs de filmes animados gravados por amigo cujas cinzas já foram para os peixes. Televisão oferecida por avô igualmente falecido. Tudo a preços de morrer!
    April 04

    Desenterrada

     As paredes deixaram de proteger. Soterram. Deixo uma vela acesa pelos fantasmas que esta casa alberga. E digo, até nunca mais!