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    September 22

    Shakespeare, só podia ser ou não?

    Alguém me escreveu esta frase... "And since you know you cannot see yourself, so well as by reflection, I, your glass, will modestly discover to yourself, that of yourself which you yet know not of." William Shakespeare ... que eu arrisco em traduzir, sem saber ao certo como a interpretar: "E como tu sabes que não te podes ver a ti própria tão bem como se visses o teu reflexo, eu, o teu espelho, vou modestamente descobrir para ti o que de ti própria tu ainda desconheces."

    De volta à Salsa que o tempero obriga!!!

    Yo quiero saber De todo un poco yo quiero tener de todo un poco yo quiero gozar yo quiero bailar y quiero cantar de todo un poco you quiero probar de todo un poco yo quiero lograr de todo un poco yo quiero vivir yo quiero reir y quiero sentir pero de todo un poco
    September 20

    E quando o trabalho é o ópio do POVO!

    Não há nada mais reconfortante do que estar a trabalhar a estas horas da noite. Quando já todos se foram embora. Mesmo os que são pagos para fazer horas extras, o que não é o meu caso. E quando já não há papel higiénico na casa de banho. Porque só será reposto amanhã quando a senhora da limpeza estiver a chegar às 8h da manhã e eu me estiver a levantar para tentar cumprir o horário de entrar às 9h30 para não ter de ficar aqui até às 22h16, a acabar críticas literárias que não devia ser eu a fazer mas o colega que está de baixa. Mas é também a altura em que todos os telefones estão disponíveis para poderem ser usados em chamadas pessoais a amigos a quem já não se fala a uma data de tempo. É hora de se actualizarem as conversas com os verdadeiramente viciados no Messenger que em vez de estarem nos cafés com os amigos - como não podem estar os que estão a trabalhar, como eu - estão ligados ao computador a teclar. E quando o trabalho é o ópio do POVO, o que resta fazer? Telefonar a um amigo e convidá-lo para jantar. A horas tardias mas ainda convenientes para forrar o estômago antes do sono. Não demores Filipe. Escrevi as últimas linhas e estou cheia de fome!
    September 13

    Morrer de Paixão

    O nosso Colaborador continua a morrer de Paixão... Agoniza em casa. "Andreia, fixe-me o português que eu já não posso mais... estou a trabalhar contra ordens médicas, um beijinho do seu (...)". Onde foi que eu já vi este sofrimento? Os "fragmentos do discurso amoroso" são os mais dolorosos de escrever.
    September 12

    Uma certa normalidade

    De novo há uma certa normalidade que parece voltar à minha vida. Retomei as coisas que mais amava e entretanto tinham deixado de me dar prazer. A dança. "Bem vinda!", a recepção da Isabel não podia ser melhor. "Estás viva!", saudou a Catarina sem saber o quanto estes tempos quase me custaram a vida. Acusei alguma ferrugem. Mas o ritmo está lá onde sempre esteve. No corpo que de novo volta a gostar de ser visto ao espelho. Da última vez, a imagem tinha sido um tortura. Quando a auto-estima rasteja pelo chão não há espelho que figurativamente não parta. Dancei. E foi como se exorcizasse todos os males. Bem, ainda não todos. Mas quase. Há males que não deixam o corpo só porque os desejamos fora dele. "Não faltes, sabes que isto te faz bem..." As palavras sábias da Isabel. Cheias de razão e bom senso. Tentarei não faltar. Acabaram-se as promessas. Todas por cumprir. Nunca mais direi faço. Apenas tentarei. Ou então, não faço. Recordo as palavras do Couto num telefonema de feliz aniversário deste ano: "Tu és a Super-Mulher, mas os teus poderes estão temporariamente abalados!" Desisti de os querer recuperar a todos. Vou tentar manter alguns. Os essenciais. É preciso avançar. Seguir a vida. Não deixar somente que ela nos siga. Ou persiga. Retomo os jantares no casarão. Retomo os copos. As idas ao cinema. Retomo a vida, desta vez, não no ponto onde ela tinha sido interrompida, mas um pouco mais atrás. No que ela tinha de mais puro e de mais inocente. Um pouco mais atrás, num caminho seguro. Feito de gente segura. Que me conhece. De ontem e de hoje. Sem a promessa de que manterei a mesma identidade amanhã. Tudo pode mudar de repente. "Tens de sair do país, sabes que mereces melhor que isto!" A Isabel... melhor que ninguém entende a minha necessidade de fuga e sabe também o que me prende. Mas um dia... Um gesto. Um beijo. Uma promessa. Um país diferente. E a possibilidade de uma nova vida tudo precipita. Na posse dos meus poderes. Partirei. No momento certo. Quando toda a normalidade voltar. Em breve.   
    September 11

    Ao meu irmão que faz hoje 28 anos

    Lembro-me de um aniversário teu festejado no Cosa Nostra. Saudoso bar que eu, há época - mil novecento de noventa e troca o passo, talvez quatro ou cinco - frequentava. Lembro-me que conhecia o DJ e outras criaturas da noite que eu adorava. Pedi-lhe que pusesse a tocar o ALIVE dos Pearl Jam. Era o nosso grito de revolta. Talvez fosse o teu 17º aniversário. Talvez eu tivesse 18 anos. Era o nosso hino à independência e rebeldia adolescente. Estavamos os dois muito fodidos com a vida. Com os pais. Com os amores. Ou os desamores. Tu tinhas o cabelo comprido. Eu também. Usava risca ao meio. Tu também. Vestias-te com camisas de flanela. Eu sempre de vestidos pretos. Tinhas um pólo, que ainda deves guardar, dos Pearl Jam. Tínhamos a colecção dos CD deles a meias. Ainda a temos. Mais a caixa ao vivo do concerto deles em Atlanta. Custou-nos 500 escudos cada CD. São três e estão actualmente avaliados em cerca de 200 euros. Lembro-me que o DJ teve de fazer o pino, em termos musicais, para satisfazer o meu pedido. E por a tocar o ALIVE. Mochamos. Sacudimos as cabeleiras. E durante esses minutos houve alí muito amor. Compreensão mútua. Eu trabalhava na Ribeira à noite. Tu vendias porta-chaves na praia de dia. Tínhamos um objectivo claro: dinheiro. Muito menos material do que o que parecia. Era a liberdade que ambos procuravamos. E esse sentimento de estar verdadeiramente VIVO. Não o de, ir vivendo, esse sentimento tão mais comum com que se contentam as pessoas menos complexas do que nós. Queríamos sentir o sangue a irrigar todo o corpo, cada nervo de cada músculo. Cada célula. Continuo a querer? E tu? Ainda estamos vivos? Son, she said, have I got a little story for you What you thought was your daddy was nothin but a... While you were sittin home alone at age thirteen Your real daddy was dyin, sorry you didnt see him, but Im glad we talked... Oh i, oh, Im still alive Hey, i, i, oh, Im still alive Hey i, oh, Im still alive Hey...oh... Oh, she walks slowly, across a young mans room She said Im ready...for you I cant remember anything to this very day cept the look, the look... Oh, you know where, now I cant see, I just stare... I, Im still alive Hey i, but, Im still alive Hey i, boy, Im still alive Hey i, i, i, Im still alive, yeah Ooh yeah...yeah yeah yeah...oh...oh... Is something wrong, she said Well of course there is Youre still alive, she said Oh, and do I deserve to be Is that the question And if so...if so...who answers...who answers... I, oh, Im still alive Hey i, oh, Im still alive Hey i, but, Im still alive Yeah i, ooh, Im still alive Yeah yeah yeah yeah yeah yeah

    A ouvir Pearl Jam

    Better Man Waitin', watchin' the clock, it's four o'clock, it's got to stop Tell him, take no more, she practices her speech As he opens the door, she rolls over.. pretends to sleep as he looks her over.. She lies and says she's in love with him, can't find a better man. She dreams in color, she dreams in red, can't find a better man.
    September 10

    Verónica

    Pelas noites passadas a ver o Coupling e a Ally Macbeel. Pelas idas ao Dolce Vita. Os passeios pela Baixa. Pela lazanha. Pelas saladas. Pelas músicas gravadas. Pela Superboc Tango. Porque todos estes "pequenos" gestos estão carregados de sentimentos. Porque cada pormenor está repleto de amizade e compreensão. Pelas lágrimas secadas. Os pensamentos aclarados. A complacência. Pela tranquilidade na revolta. A presença. Minha querida Verónica foste a pessoa mais importante para mim neste ano tumultuoso que vivi. E não há maneira de te dizer o quanto te adoro. Foste muito determinada ao decidir voltar a Paris. Vais ver que tudo vai correr maravilhosamente. Nunca vamos precisar de dizer adeus, apenas até breve. Até Novembro. 

    Ao dono do colar de orelhas

    Não havia mais ninguém que eu gostasse de ter comigo em cima daquele pilar chuvoso a lutar contra aquelas criaturas anfíbias. Encontrei o meu túmulo e reavi o que tinha há muito perdido. Agora com o meu medalhão em forma de Lua e a minha espada estou mais forte. A minha gratidão não tem fim.
     
    NARIA
    September 06

    Raquel

    Quem diria,
    Que um dia,
    Voltava a ver Raquel,
    Fiquei parado e pouco lhe falei.

    Há quanto tempo não te via,
    Julguei até já ter estancado a hemorragia,
    Mas ao que vejo o tempo não passou,
    Como era bom,
    Contar-te o que eu sentia,
    Mas vejo que a conversa vai ficar p'ra outro dia,
    Por hora só me sai:
    Raquel.

    Ornatos Violeta

    Dez lamúrias por gole

    Isto é só um copo eu não bebi demais
    Achei que era diferente e são todas iguais
    Escrevi canções sobre ela mil noites sem fim
    Deixou-me neste bar a cantá-las pra mim
    Doce uuu uuuuuu uuuuu
    Eu bebo da garrafa tomo o gin de manhã
    Se o Príncipe era um sapo ela devia ser rã
    Eu amo quem eu sei que não me vai amar
    Mas só assim me dá vontade de cantar
    Doce uuu uuuuuu uuuuu
     
    A dor existe e não dá pra esquecer
    O peito insiste e não a deixa morrer
    E eu não vou deixar-me beber como gin
    E para estar sóbrio não basta só pensar em mim
    Oh não
     
    Deus não era isto que eu queria ser
    O que me deixa mal o que me faz viver
    Sinto a roupa fria e o corpo dorido
    Sinto o cheiro a vinho mesmo sem ter bebido
    Nada
    Uuu uuuuuu uuuuu
     
    Isto é só um copo a boca já me arde
    Um homem varre o chão e diz que já é tarde
    Senhor só bonne voyage é hora de fechar
    E a Lua é mulher que hoje vou abraçar
    Doce uuu uuuuuu uuuuu
     
    A dor existe e não dá pra esquecer
    O peito insiste e não a deixa morrer
    E eu não vou deixar-me beber como gin
    E para estar sóbrio não basta só pensar em mim
     
    E eu não vou deixar-me beber como gin

    Ornatos Violeta

    September 05

    No Divã

    Dra Cecília
     
    Prepare-se que lhe vou enviar os meus pais!!! Não os consigo suportar mais. Por isso, dou os 50 euros por bem gastos e por favor ature-os!!!
    Se precisar de mim para assinar quaisquer papéis para autorizar qualquer intervenção que considere adequada aos seus problemas, é só dizer, estou aí num instante!
    September 01

    A Marta de LESI

    A Marta, foi a minha primeira amiga na Universidade do Minho. Estavamos em 1995 e conhecemo-nos nas camionetas que faziam a ligação Porto-Braga. Foi numa segunda-feira. Às 6h40 da manhã. A hora da partida da primeira camioneta para Braga. A Marta e eu inicialmente íamos e vinhamos do Porto todos os dias. Ela tinha entrado num dos melhores e mais promissores, mas também mais difíceis, cursos da UM: LESI - Licenciatura em Engenharia de Sistemas de Informática. Era uma das poucas raparigas, num curso brutalmente masculino com uma praxe aterradora. Eu estava em Comunicação Social. Um curso muito mais fácil... :) Ambas felizes por estarmos a estudar o que queríamos.   
    A nossa amizade começou com a partilha de dificuldades. Aquelas que atingem muitos estudantes universitários: pais remediados, bolsas apertadas e gastos "superiores" avultados. Fazíamos muitas contas. Aos preços dos bilhetes. Às senhas da cantina. Às fotocópias. Ao passe dos Transpostes Urbanos de Braga, os famosos TUB. Comemos muita sopa na cantina para poupar mais uns trocos. Esperamos juntas horas e horas à porta dos Serviços Académicos de Braga, com carradas de papéis para tentar conseguir o apoio social da Universidade: as bolsas, sempre tão mingadas.
    Os anos lectivos foram passando. Com quase nenhumas cadeiras em atraso. A Marta conseguiu tirar o curso em tempo record. Há gente do ano de caloira dela que ainda lá está em Braga atrapalhado. A nossa vida continua a ser partilhada e já passaram dez anos sobre a entrada na UM. A Marta casa em Abril do próximo ano, o mês em que farei 30 anos. A vida está a dar à Marta o que ela merece. E há-de dar muito mais. É o que mais lhe desejo.