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August 12 "Ele tem planos para ti e tu, tens planos para ele?"
Gosto tanto de falar com o teu irmão.
Porque me parece que falo contigo.
Tu e ele partilham um humor em tudo parecido.
Talvez seja de família.
O facto é que tenho pensado muito em ti.
Tomo algumas decisões com base naquilo que acredito pudessem ser os teus conselhos.
Porquê?
Pela culpa que sinto por não te ter ouvido mais vezes.
Porque contigo cremaram as minhas expectativas.
Toda a fé na vida. Na alegria.
Reduzida à sua real insignificância.
Planos?
Não tenho planos para ele.
Nem para mim.
Deixei se fazer planos quando percebi que não controlava o meu destino.
Quando vi claramente que a minha vida não me pertencia.
Pertencesse, e eu já me teria suicidado, seguramente.
Mas não é minha.
E ninguém pode decidir sobre o que não é seu.
August 09 Que prazer
Não ter nada para dizer.
Ter de escrever
E não o fazer.
Ter um livro para ler
E emprestá-lo a quem quiser.
Não fazer muita questão,
Em ouvir mais uma opinião.
Não ter um tostão
E nenhuma preocupação.
Que prazer,
Não ter nada a perder! August 03 Envio a lista de artigos em débito para a minha editora. Ela liga-me de imediato: "Pelas minhas contas tens a receber mais de o dobro do que dizes estar em dívida!"
Venho do almoço com o meu novo chefe a quem pedi muito pouco pelo trabalho que me cabe fazer: "Desculpe que lhe diga, mas é óbvio que não lhe vou pagar tão pouco pelo seu trabalho!"
E, ainda me dizem que o mundo está cheio de más pessoas. Que só nos querem enganar e passar a perna! Pois, o mundo que eu conheço tem pessoas justas. Pessoas que respondem com honestidade a quem se mostra honesto. Porquê? Porque o exemplo é o melhor trunfo. Mostrar o que sou, como sou. Dizer o que penso acima de tudo. Dizer a verdade. Ser sincera. Mostrar a força sem esconder as fraquezas. Faz a diferença? Faz. Sinto-me inspirada por algo que vem Acima de tudo. E quando confio nessa força sinto que gero o bem a quem vem ao meu lado.
Melhor que isto? Contaminar o mundo inteiro.
Se preciso de ser mais desconfiada? Não:) Precisamos todos é de confiar mais uns nos outros.
Porque DEUS existe. Porque nós somos a sua obra. Somos o seu plano.
E porque a justiça chega a quem é justo. As oportunidades aparecem a quem é desinteressado. Prova disso? :D Querem mais algumas? August 01 Diz-me o meu gurú que ando espiritualmente suspensa. Basicamente, estou uns níveis acima. Por isso se "encostam" a mim "encostos" que me consomem. E, que depois se afastam, porque segundo o meu gurú se envergonham à luz que irradio. As coisas de Deus demoram tempo, diz o meu gurú. "Tu conseguiste-o assim!", critica-me ele enquanto estala os dedos para significar a rapidez. Olho para ele incrédula. Reconheço o meu estilo no estalar dos dedos amarelados do meu gurú. "Mas não é assim que se conseguem as coisas de Deus, Andreia!" Sinto-me constrangida pela maneira como pronuncia o meu nome. A felicidade está dentro de mim, assegura-me ele. O diabo, é que segundo ele, eu ando como maluca à procura da felicidade em sítios onde ela não existe. Arrisco uma pergunta: Porquê? "Responde-me tu!", atira-me o gurú. E eu, meto-me a brincar com as pedras do meu colar... "Porque corres tu atrás de quem perdeu a face?" Não consigo responder. Penso em algumas respostas rápidas, mas não as concretizo. Mas o meu gurú adivinha-me os pensamentos. "A beleza que procuras não está num rosto igual ao teu, nem num corpo como o teu!" Começo a ficar com medo que ele me leia mesmo os pensamentos. "Ele já está a sofrer grandes humilhações, por isso não te aparece!" Então, que faço eu? Pergunto-me. Sem coragem para verbalizar. E, fico aparvalhada pela resposta do meu gurú. "Deixa-te estar suspensa! É assim que és. Não vais ser feliz com ninguém diferente de ti. Tens de encontrar alguém que esteja suspenso!" Quase choro. E o meu gurú apercebe-se, mas ainda assim não facilita. "Tu és desprendida do material, ele não. Ele apega-se a tudo. Tal como se apegou a ti. Não deves recebe-lo de volta! Ele só te vem trazer o vazio." Deixo o meu gurú até à próxima consulta que será: amanhã! Sim, amanhã, às 15h. Antes de o deixar pergunta-me: "Como virás vestida amanhã?" Sinto-me confusa. Mas ele esclarece-me que a cor confere equilíbrio. E que a nossa conversa de amanhã vai requerer uma decoração que me deixe em harmonia. "Venho de verde, mas não o alface, aquele tipo tropa!" Ele sorri e despede-se de mim com o mesmo conselho: "Mantem-te suspensa!" July 29 Farto-me do passar dos dias. Cansam-me as horas tardias. Aborrecem-me os minutos demorados. Faço porque não quero que percebam que já não sou capaz. Este tédio sem respostas. Sinto o corpo moído da espera. Incapaz do movimento certo. No meu desconforto procuro algum sentido. Mas há muito que o absurdo tomou conta da minha vida. Não há margens. Não há parágrafos. Faltam-me os pontos finais. Restam apenas exclamações. Interrogações. Mudo de linha. Reescrevo a realidade para a assemelhar à ficção. Sucedem-se as páginas carregadas de ideias borratadas. July 14 Sou um animal sentimental Me apego facilmente ao que desperta meu desejo Tente me obrigar a fazer o que não quero E você vai logo ver o que acontece. Acho que entendo o que você quis me dizer Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade, Tudo está perdido mas existem possibilidades. Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos Tínhamos um plano, você mudou de idéia Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo Quando foi que competimos pela primeira vez? O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto Não acredito em nada além do que duvido Você espera respostas que eu não tenho mas Não vou brigar por causa disso Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada? Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço Enquanto o caos segue em frente Com toda a calma do mundo.
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá
Uma grande letra para uma música dada a conhecer pela Cátia, essa Serena que me serena a alma lembrando-me simplesmente que ainda não a perdi. July 12 He's not my lover, he's just a boy who claims that I am the one
July 08 Inocente o entusiasmo do Artur quando o avô lhe anuncia: "Vamos ao cemitério!" Artur fica eufórico. E repete enquanto corre pelo passeio. "Vamos ao cemitério com o regador!" O regador que a minha mãe lhe deu quando íamos ao cemitério "regar" a campa do avô velhinho, o seu bisavô. Agora Artur rega também a campa da minha mãe. Corre por entre as lápides de regador na mão. Sorridente. "Anda Andreia!" Sigo a passo tranquilo atrás dele. Aos pulos pede que abra a torneira e lhe encha o regador. "Vamos regar a tia Linda que ela está cheia de calor!", diz-me ele com pressa. Depois volta a correr até à campa dela. Despeja o regador sempre sorridente sempre aos pulos. "O meu menino!" Era assim que a minha mãe se referia ao Artur. O menino que corria para os braços dela e a enchia de beijos e lhe tirava o boné para ver a careca... "A tia Linda agora já tomou banho?", pergunta-me. Aceno-lhe que sim. Procuro sorrir para não chorar. Com o regador já vazio é tempo de outra das nossas actividades no cemitério. No chão, o regador transforma-se numa bola. "Xuta prima!" Começa a partida de futebol entre os jazigos. Tombamos algumas velas e pedimos desculpa aos mortos pelo incómodo. "Desculpe lá Dona Cândida, foi sem querer!" Artur ri-se e imita-me: "Foi sem querer!" Umas velhotas, que estão vivas, sentem-se incomodadas pela partida. Olham-me com reprovação. E eu sorrio-lhes. Artur marca-me um golo. Agarra o regador e festeja à minha volta. "Tia Linda marquei um golo à Andreia!" Aposto que a minha mãe abana a cabeça e pensa: "Que tolos, esta minha filha é pior que o menino!" De certo que nos acha piada. De certo que ri. E assim evito eu de chorar. July 06 Há um acidente de carro na estrada.
Há um rapaz no chão coberto de sangue.
Ninguém se aproxima dele pelo horror em que está.
Aproximo-me eu.
Olho-o nos olhos e digo-lhe que vai tudo ficar bem.
Ele diz-me que não.
Eu peço-lhe que acredite em DEUS.
Ele diz que vai morrer.
Eu digo que não. Que a ambulância vai chegar a tempo.
Ele diz que é tarde.
Peço-lhe que acredite em mim.
E desato a correr pela estrada fora.
Corro o mais que posso até a um hospital.
Procuro um médico que venha ao local do acidente.
Mas o hospital está vazio.
Continuo a correr pelos corredores.
Vejo uma médica.
É a Estrela.
Imploro-lhe que venha comigo.
Ela diz que não vale a pena.
Puxo-lhe o braço, grito-lhe que venha em nome de DEUS.
Ela acede.
Mas quando chegamos, já está lá a ambulância.
Vejo um saco preto numa maca.
O rapaz está morto.
Sinto uma miséria dentro de mim.
Falhou DEUS.
Falharam os médicos.
Falhei eu.
Acordo.
E a única coisa que penso é que eu devia ter corrido mais.
Quanto vale encontrar alguém que nos conhece? Augusto vivia na rua. Pedia junto ao jornal onde eu trabalhava. Conversávamos ao fim da tarde num banco de pedra do Jardim da Cordoaria.
Dizia que antes de me conhecer quase desaprendera a falar, tal eram longos os dias que passava sem contacto humano. Preferia companhia a alguns euros. Mas aceitou de bom grado 10 euros para se deixar filmar certa tarde para o video clip "Quem me leva os meus fantastmas", do Pedro Abrunhosa.
Gostava que lhe falasse dos meus problemas. Dizia que lhe lembravam a vida da qual se afastara.
Uma tarde em que passeavamos pelo Porto, perguntou-me como não tinha eu vergonha de ser vista com ele a andar pela rua. Devolvi-lhe a pergunta.
Vesti-o algumas vezes com as roupas que não serviam ao meu pai.
Um dia saía eu do jornal e tinha-o à minha espera. Barba desfeita. Banho tomado. Roupa limpa. Um leve cheiro a colónia de lavanda. Deu-me o braço, como lhe tinha contado que o meu avô me fazia, e levou-me ao café.
Disse-me que uma assistente social o tinha abordado. Deixava a rua para iniciar um tratamento no Hospital Conde Ferreira. Senti as lágrimas pelo rosto. Um egoísmo inexplicável que ele entendeu. Perguntou-me se não queria que ele fosse, disposto a não ir. Pedi-lhe que fosse, claro, que se tratasse das dependências que tinha. Pediu-me que não o fosse visitar ao hospital, como estava a querer fazer. Implorou-me que mantivesse a lucidez. E, fez-me prometer viver até quando nos encontrassemos de novo. July 01 Começa por ser um nó na garganta. Depois vai apertando.
Como se fosse corda em volta do pescoço.
Tento respirar como me ensinaste. Mas o ar está rarefeito.
Vou para a janela.
Não me basta o vento para encher os pulmões.
Apenas aviva a tua imagem ao meu lado.
A tua mão pousada na minha perna nos interválos das mudanças.
As janelas abertas.
A paisagem a fugir imperceptível.
- Atão mulher, ainda te falta o ar? O teu sorriso de sapo. A tua mão a deslizar pelo meu braço.
- Já passou a choradeira? O teu olhar inquieto nos meus olhos inchados.
- Melhorzinha? A tua preocupação a cobrir o meu embaraço.
- Logo posso cuidar de ti! As tuas promessas a ruborizar a minha face.
E a tua morte.
A saudade de te olhar a apertar este nó na garganta.
O ar irrespirável.
A tristeza da promessa não cumprida.
Vem pousar a tua mão na minha perna.
Ainda espero pelo deslizar dos teus dedos na minha pele.
Para poder voltar a respirar...
June 27 Rezava todos os dias para que Deus levasse o marido à sua frente. Queria ter uns anos de paz antes de morrer. Um dia as suas preces foram ouvidas. O marido, bateu a bota, esticou o pernil, deu o peido mestre. Em suma: morreu. De morte natural.
Depois de anos a aturar um "homem de vinho" que chegava a casa e partia tudo. Herminía estava agora viúva, e feliz! Saía cedo e bem arranjada em direcção ao café. Meia de leite e uma torrada. E pensar que, quando o falecido era vivo, ela nem podia ir ao café.Todas as noites, era quem a visse ir levar o lixo aos latões e a esgueirar-se até ao balcão do café. Para num segundos tragar o cimbalino e voltar ligeira a casa. Antes que o marido cismasse que ela tinha fugido com o contentor e saísse de casa em sua busca. Anos. Uma vida de sobressalto agora deixada para trás, com a Graça de Deus! June 24 Do inesperado surge a lembrança. Volto a tropeçar nas tuas memórias. Sinto a tua ausência como um empurrão que me atira para um lamentar de impossíveis. Surreal. Agarro-me às imagens que deixaste de ti pela web. Presenças falaciosas. Recordo o email enviado pelo teu amigo anunciando a tua morte. "Isto não é uma brincadeira...", começava assim. Deixei passar os meses sem me convencer que de facto não era uma brincadeira. Olhava para o rosto do teu irmão tão semelhante ao teu... e preferia imaginar-te em viagem. Apenas distante, mas nunca ausente. Agora há alguém que apenas viaja e que eu já imagino morto. Minimizo. Contigo desejei a distância em vez da morte. Estranho desta vez preferir a morte à mera distância. June 21 Continuo com a árdua tarefa de reduzir a quantidade de pertences tenho, em conta da falta de espaço da minha nova casa. Ando de ressaca da privação do cloridrato de paroxetina anidro and it sucks! A desintoxicação inclui súbitos estados de choro de 7 minutos, o chamado lusco-fusco depressivo. Ataques vorazes de fome de pacotes de batata frita. Compensados com salada de tomate e cebola temperados com azeite, vinagre e gomásio, duas vezes ao dia. Banhos de água fria a meio da noite, porque acordo submersa em suor quase dia sim dia não. Inclui também bastante leitura de livros de auto-ajuda, já sabem que não curto incomodar ninguém... E, ocasionalmente alguns episódios da Ally McBeal, com quem me identifico cada vez mais. Só lamento que o electricista que andou cá em casa a arranjar o curto-circuito em que estava o quadro, não fosse tão giro como o canalizador (interpretado pelo Bon Jovi) que lhe andou a desentupir os canos. Sobre a minha "Toca", assim se chama o alojamento substituto do "Casarão", it's amazing! Falta o mini-forno para a minha tradicional lasanha e depois disso, a Toca estará perfeitamente equipada! Por isso, aos que têm perguntado pela inauguração, be patiente! June 20
when we met i knew you had something
weren't your stories about your crazy living
nor your promises of a golden ring
telling lies to impress
have I ask you for fairy tales?
of wild worses and deserts...
lots of money spent on easy way?
guess what?
I love to work anyway
hate people who are rich
baby, I'am a communist
I read Marx and Lennine!
don't wan't a Chanel neckless
hate all your messes
though you win my heart with this nonsence?
it was yours on the first night and you didn´t notice
June 19 Xarope Montariol, era o assunto do email desconhecido que foi parar ao junk. Inês, a remetente, viu na Internet o meu apelo por informações sobre o xarope que é conhecido por ter uma acção benéfica em doentes que estão em tratamento de quimioterapia contra o cancro.
É feito num mosteiro, em Braga. Dizem que leva um composto de aloe vera. Mais não sei. Respondi a Inês que lhe arranjaria os contactos. Tal como eu já o fiz, ela procura qualquer ajuda para um amigo que luta contra um cancro no figado. Informo a Inês, que não conheço, como o Helder, um rapaz que na altura respondeu ao meu apelo por ja ter tido cancro e ter ele próprio experimentado o xarope, fez comigo. Mais um conselho: a leitura de um livro "Anti-Cancro", um novo estilo de vida, de David Servan- Schreiber. Escrito por um médico a quem diagnosticaram há 15 anos um cancro fatal e que desde aí percorreu o mundo á procura de remédios ancestrais no mundo oriental e com propriedades anti-canceríginas. Um livro que põe em realce as últimas descobertas científicas sobre o cancro e que o explica como nunca vi explicado. E, eu li muito sobre a matéria. June 18
i 'll bury you in the desert of your lies
undress my body from your eyes
my spill tears couldn't stop the dry
June 17

Wonderful, Gary Go
The person that you were has died You've lost the sparkle in your eyes You fell for life - into its traps Now you wanna bridge the gaps Now you wanna bridge the gaps Now you want that person back
And all your amunition's gone Run out of fuel to carry on You don't know what you wanna do You've got no pull to pull you through
Say "I am" Say "I am" Say "I am wonderful"
Say "I am" Say "I am" Say "I am wonderful"
If what you've lost cannot be found And the weight of the world weighs you down No longer with the will to fly You stop to let it pass you by Don't stop to let it pass you by You've gotta look yourself in the eye
Say "I am" Say "I am" Say "I am wonderful" Oh you are
Say "I am" Say "I am" Say "I am wonderful"
Cause we are all miracles wrapped up in chemicals We are incredible Don't take it for granted, no We are all miracles Oh we are
Say "I am" Say "I am" Say "I am wonderful" Oh you are
Don't take it for granted, no We are all miracles wrapped up, yeah we're wrapped up Oh we are wonderful
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