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November 26 Dicas para particulares que querem ajudar os Sem-AbrigoÉ quase Natal. E como de costume, por esta altura os corações dos humanos palpitam boa-vontade. Se de repente sente uma necessidade urgente de ajudar o Sem-Abrigo mais próximo da sua área de residência, e não pertence a nenhuma entidade organizada de caridade, pelo que age por própria conta e risco, leia aqui algumas dicas, que podem ser úteis para - surpresa! - poder ser bondoso o ano INTEIRO:
- Oferecer alimentos que possam ser consumidos de imediato e na totalidade, ex: latas de atum e pacotes de leite pequenas pequenos (dar 500 gramas de atum e 1 litro de leite não mata mais a fome, porque um Sem-Abrigo não dispõe de sítio para armazenar alimentos e além disso são quantidades enormes para serem consumidas de uma só vez por quem pouco come, mas em caso de dúvida experimente se é capaz de comer 500 gramas de atum sem qualquer confeccionamento e empurrar com 1 litro de leite), oferecer sandes já confeccionadas (ou vendidas em supermercados, ou porque não confeccionadas por si?) em vez de pacotes de friambre, ou mortadela, ou queixo, há ainda iogurtes, fruta, e outros alimentos de consumo...
(a continuar...) Simplesmente ofensivo "És sempre sincera e verdadeira comigo?" November 10 A minha avó mandou perguntar...Chego uma hora atrasada e a minha avó tem já as batatas a cozer na panela.
- Viste a minha mensagem?
A minha avó não sabe ler. Qualquer atraso tem de ser comunicado por sms ao meu tio que trata de lhe dar o recado, quando não se esquece.
- O teu tio só me disse agora.
O relógio da cozinha marca as 12 horas, a mensagem dizia que ia chegar uma hora mais tarde do que as 11 horas combinadas no dia anterior.
- Atrasei-me a escrever o artigo.
Trago na saca o resto dos ingredientes para fazer caldo verde: a couve. Trago castanhas e pimentos para assar com as sardinhas que a minha avó tem a descongelar. De caminho passo pelo talho para satisfazer mais um desejo da velhota.
- A minha avó mandou perguntar se havia redenho?
- Há, sim senhora. A dona do talho mete um naco de carne num saco plástico.
- Diz à avó que vai aqui o talão.
Sorrio. Por momentos retorno à infância quando a minha outra avó, a Dona Augusta, me mandava à mercearia do senhor José e me dizia que não me esquecesse do troco e do talão. Nunca pensei que anos tão tarde iria viver o mesmo, já não no Bairro de São Roque da Lameira, mas na Areosa, na mãe da minha mãe.
- Tens aqui o redenho...
- Vou juntar estas febras e vamos fazer o redenho, vens amanhã?
- Não, faz na quinta que eu quero ver como fazes isso.
Ficamos assentes. Quinta será dia de aprender a cozinhar o redenho...
- É para fritar?
- Não, faz-se num tachinho...
Aprendo a cozinhar à moda antiga com a minha avó. Diz-me que é também à moda da minha mãe, que aprendeu com ela. Não tive tempo de deitar sentido aos pratos que a minha mãe confeccionava. Não tive tempo para nada. Foi-me roubado. É essa a sensação que sempre me persegue. A de me terem roubado o tempo de velhice da minha mãe, aquele em que eu iria "botar" sentido aos seus segredos culinários. O tempo em que me iria sentar com ela à mesa e queixar-me dos seus netos endiabrados, ou rir das suas malandrices. Foi tanto tempo roubado que me sinto vazia de futuro. Por isso agarro com força o presente.
- Vamos assar as castanhas, ou já não há tempo?, pergunta a minha avó.
Ofereco-me para as descascar.
- Há tempo, isto é num instante.
Não fiz isto muitas vezes, mas lá me arranjo.
- Dá um golpe a meio...
Enquanto trato de golpear, a minha avó descasca a chouriça para o caldo verde. Peço-lhe umas rodelas para ir trincando...
- Lembras-te quando nos mandavas, a mim e ao Pedro, pão com chouriça pela mãe, ao sábado?
A velhota acena que sim. Estávamos sempre à espera que a minha mãe chegasse da Areosa com os tais moletes. Era o nosso lanche das 18 horas. Ora com chouriça, ora com presunto, que a minha avó às vezes ganhava nas rifas. Pomos as castanhas na água com sal. Depois de golpeadas, vão novamente com sal num tabuleiro ao fogão a gás.
Na cozinha velha pomos as sardinhas a assar num grelhador bem velhinho e côncavo. A grelha ferrugenta dos pimentos não está em melhor estado. A minha avó passa-os pelo fogo do gás para "queimar" eventuais micróbios. E eis que a magia acontece. Entre tachos bafos, garfos tortos, fogões ferrugentos e colheres de pau partidas, surge a melhor comida que tenho comido nos últimos tempos. Desde que a minha mãe morreu.
- Estão boas?, pergunta-me a velhota.
Nem páro de comer.
- Está tudo muito bom!
As sardinhas têm gosto de brasa e sal. O caldo verde com a chouriça queima a língua e nem assim consigo esperar que arrefeça. E as castanhas a terminar... vale a pena o trabalho de ter de limpar o fogão, lavar a loiça, esfregar a pingadeira e varrer a cozinha, mas mais de mil vezes. Entre os paladares e a conversa com a velhota sinto que algum tempo me é devolvido. Sinto uma felicidade por estar viva que raramente sinto. As mãos que teclam cheiram a sardinhas e estão aspras. Mas no coração que pensa as palavras há hoje mais um sopro de vida. October 26 Paulo, o suicida Percorreu a ponte D. Luis I determinado a saltar ao rio. Os motivos eram mais que válidos. Não os partilhara com ninguém, porque acreditava piamente não poder ser demovido. Levava a camisola presa pela anca, apesar do frio que fazia. Primeiro mirou a paisagem. Depois respirou. Pos as mãos no ferro e alçou a perna esquerda. Virou-se de costas para o rio e prepara-se para passar a outra perna quando se sentiu agarrado pelo cinto das calças. - O que fazes? Surpreso por a resposta não ser evidente, Paulo explicou-se ao desconhecido: - Vou saltar! Por instantes verbalizou o que lhe passara pela mente durante meses. Suicidar-se. Não valia a pena viver, por que não. Porque só fazia merda. Porque só fazia sofrer as pessoas de quem gostava. Porque morto não faria mais estragos. Foi nessa noite que conseguiu partilhar esses pensamentos com outro ser humano. Aquele desconhecido que estava a passear na ponte sem dramas existenciais. Só pelo passeio. Pela noite. Pela brisa. O brilho das luzes reflectidas nas águas escuras do Douro. Sem que nada o fizesse prever, tinha a vida de outro humano presa por um cinto. E agora imaginava o outro a saltar para a morte, caso não estivesse ali. Por momentos questionava a sua própria decisão de ir até aquele local. Fazia-o com frequência para espantar a tristeza. Não podia contudo dizer que fazer semelhante coisa não lhe tivesse passado pela cabeça. Uma vez. Talvez mais uma outra. Mas nunca ao ponto de passar a perna para o outro lado do gradeamento de ferro no qual apenas se debruçava para mirar a vista. - Não vais nada! Eu não te solto e vamos parar os dois lá em baixo! Paulo retrocedeu. Porque o outro iria cair quase de certeza. E suicida queria ser, homicida, não! Só iria agravar a sua lista de acções gravosas e Deus, a existir, já estaria suficientemente fodido pela merda que já fizera até àquela noite em que decidira não voltar da ponte. Com os pés assentes no tabuleiro de cima sentiu o frio da noite e começou a tremer. - Veste a camisola!, disse-lhe o desconhecido. Paulo obedeceu. Por momentos olharam-se sem palavras. Apenas a mão um no outro. Nenhum dos dois estava preparado para grandes discussões filosóficas ou teológicas. Dois homens, uma ponte. Palavras inúteis poderiam corromper o drama. O sofrimento era real. O salto, uma opção. Um benefício de quem tem o livre-arbítrio para decidir entre o bem e o mal. Uma regalia de humanos. Quando as mãos de apartaram o desconhecido virou costas e começou a caminhar rumo a margem do Porto. Paulo ficou mais uns minutos e depois seguiu-lhe os passos na mesma direcção. October 09 Volto qualquer dia destes...Um dia destes eu volto. De vez. Ou talvez temporariamente. É tão difícil continuar. Dou voltas. Mais voltas. E não consigo voltar a mim. Faltas-me tu de ponto de referência. Eras o meu "você está aqui"! Sem ti, não estou em parte nenhuma. Como posso voltar se não tenho para onde? Voltar a Espanha? Com a Sónia e o Vali que chegam amanhã? Voltar a Braga? Quem queria encontrar não vai voltar. Voltar para tua casa? Também não vais lá estar. E à minha casa não me dá vontade voltar. Se amanhã os telemóveis estiverem desligados, fugi!Quando a felicidade atinge os limites do intolerável fugir torna-se o mais lógico. Aceito a tristeza como inevitável e não lhe resisto. Mais insuportável o peso da felicidade. Imagino um fim súbito e fatal. E fugo apenas afim de o evitar. Ainda que ele não venha a acontecer. Acabo por o precipitar. No desespero de o prevenir. Não sei se serei capaz de te encontrar amanhã. Estou inclinada a desligar os telemóveis. September 12 O meu problemaO meu problema é já ter visto filmes a mais. Há cenas que se repetem. Cortes que reconheço. Panorâmicas que quero evitar. September 11 O chão que ela pisaFoi acabado de esfregar. O chão que ela pisa não tem letreiro a avisar: Perigo de Escorregar! O chão que ela pisa é também sujo. E ela gosta de andar descalça. Ás vezes só a gordura pegajosa lhe prende os pés ao chão. Por isso ela solta-se. Então, o chão que ela pisa deixa de o ser. Mas o chão que ela pisa é único. Feito de mosaicos geométricos multicolores. É no chão que pisa que ela se ajoelha e reza. Num chão frio e húmido. O chão que ela pisa é sagrado. E ela nem sempre se sente digna de o ter por baixo dos pés.
September 08 Jamaica leaves - IIFoto de Natália Martins
23 de Agosto - Conversa de engate
São 21h na Jamaica, em Portugal é dia 24. Vuptei-me. A noite é quente e abafada. Procuro um refúgio a caminho do quarto. Mas sou desviada pelo som de tambores. Sento-me na berma de um jardim. Minutos depois alguém me chama. "Miss, are you ok?" É o segurança. Explico que estava apenas a curtir o som. Pergunto-lhe de onde vem. Diz-me que é de uns bares alí ao lado. E prontamente se oferece para me levar até lá. Diz-me que tamb+em toca numa banda e que um dia gostava de tocar para mim. Dava uma vontade de rir, mas contenho-me. Conheço o estilo da conversa de algum lado. Mas da última vez que a ouvi o interlocutor era de outro continente. Fico a pensar que a conversa de engate é universal. Digo-lhe isso mesmo. Que ele tem de inovar a conversa se quiser engatar turístas. Ele ri-se desmascarado. Ainda assim reage um tanto ou quanto paternalista. Pergunta-me quem me deu a conversa de engate. Não respondo. Diz-me que quem quer que tenha sido foi um palhaço. Rio mais uma vez. Até na Jamaica há quem perceba bem de árabes. Bebi um bocado de mais. Pinacoladas. De borla. Por isso peço ao segurança que me ajude a encontrar o quarto. September 07 O meu chefeOntem morreu José Paulo Serralheiro. O meu chefe. Conhecemo-nos numa entrevista em que me candidatava ao lugar de jornalista, na Página da Educação, publicação de que ele era director. Cheguei atrasada 1 hora. Esqueci-me do currículo. Então a entrevista foi feita à base de conversa. "Troca de ideias", como ele lhe chamou. Sobre política, educação, sociedade e cultura. Os temas chave abordados no jornal. Interrompemos a conversa à custa do almoço. E foi marcada nova entrevista, para eu apresentar o currículo esquecido na primeira.
Dois dias depois entrava eu, novamente no escritório dele. Com o currículo, mas novamente atrasada. Quando me viu, olhou para o relógio e disse: "Você tem um problema com a pontualidade!" Fiquei um bocado atrapalhada. Começamos a nova entrevista. Desta vez falamos do que eu tinha andado a fazer na universidade e no mundo laboral até ao momento. Causei boa impressão. Ele também.
A dada altura comecei-me a enterrar. Dizia eu que não tinha problemas nenhuns em cumprir ordens desde que reconhece legitimidade nas chefias para mandar. Recordo o arregalar de olhos dele. Pensei que tinha perdido o "emprego". Mas não. Anos mais tarde dizia-me ele que foi exactamente aí que decidiu arriscar a minha contratação. Foram seis anos em que diariamente troquei ideias com a pessoa mais inteligente com quem trabalhei.
José Paulo Serralheiro era um chefe com legitimidade. Falava com profundo conhecimento de causa. Nunca vi ninguém tão produtivo, ao ponto de mesmo com cancro ter virado a página à Página da Educação, transformando-a de jornal a revista. Tinha um profundo tacto de justiça. Era implacável com as falhas. Mas tolerante com erros. E tinha a capacidade extraordinária de fazer as coisas acontecerem.
Aprendi muito sobre educação com ele. Sobretudo deu-me muitas lições de vida. Dizia que mais valia um sapateiro a assobiar do que um médico mal disposto. Logo a mim, que assobiava muitas vezes sem me dar conta. Mesmo a trabalhar.
No final da entrevista, depois de muita conversa e sem me dar nenhuma pista sobre se me ia contratar ou não, olhou-me com uma cara de sarcasmo e disse: "Arranje os horários dos autocarros!" September 01 Jamaica leaves - IFoto de Natália Martins
23 de Agosto - Missão secreta
[Bob Marley, the guy who helped me] August 19 SoterradaVolto a cavar um buraco. Sabe-me bem estar soterrada. Como o Panda vampiro, que o Gonçalo tanto gosta que eu enterre na areia da praia, para depois desenterrar com um grito assustador de quem renasce dos mortos. Ultimamente não suporto a luz. Metam-me num caixão e preguem bem o tampo. Quero ficar quietinha. Até que os bichos me comam os tecidos todos. Mais os ossinhos. Sempre que me desenterro, fica-me a doer o corpo. Talvez seja de me mexer mais do que devia. Devia ter ficado onde estava. Deitada. À espera da Eternidade. Quantos quilos de bagagem fazem uma mulher mais feminina?[Aqui estavam umas linhas que foram auto-censuradas] A aguçaTem um aspecto de relíquia. Num pé de ferro preto trabalhado assenta um globo do mundo suspenso por um arco. Os continentes estão marcados a verde escuro. Os oceanos são amarelo torrados. Lembro-me perfeitamente do espanto da minha mãe quando mo comprou: "Queres mesmo isso?" Tem o aspecto de objecto para estar na secretária de um juíz, ou de um médico cardiologista. Devia ter uns sete anos e andava com a minha mãe e irmão às compras do "regresso às aulas". Nunca agucei os lápis nela. Pois, desculpem, a relíquia é uma aguça. Alguns chamam-lhe afia. Eu prefio aguça. É o objecto mais antigo que possuo. Hoje enquanto procurava a cópia da chaves de casa, encontrei-a num dos caixotes da mudança. Pois, ainda estou tipo em mudança. Tenho descoberto tantas recordações nos caixotes que prefiro tê-los assim como baús de tesouros piratas, empilhados na sala. Pela primeira vez, a aguça está na minha secretária. Não sei se lhe valeu a pena esperar tantos anos. Talvez esteja desapontada por não combinar nem com a mesa (branca) nem com os outros objectos (de porte inferior) que a circundam. Nunca foi minha intenção usa-la para o fim que foi criada. Lembro-me de ficar horas a rodar o globo no arco de ferro e a ver os minúsculos nomes dos países com a lupa que o meu pai usava para ver as inscrições nas moedas que coleccionava. Lembro-me de jurar a mim mesma que ia ver o mundo todo, sem ser à lupa, quando crescesse. Talvez tenha sido essa a minha primeira e única ambição: deixar de ver à lupa. Quanto ao mundo... Continuo a adorar fazê-lo rodar com os dedos. August 17 Ao meu irmão que casa amanhãSeria o casamento do ano. Imagino a mãe maluca a correr as lojas da Baixa comigo. A gastar uns bons dois meses de reforma no modelito. A Carina de volta dela: "Senhora Marquesa, esse sapato não combina com o vestido, marquesa que é marquesa vai de sapato a condizer!"
De certo que não iria usar chapéu. Pois farta de usar a cabeça coberta estava ela. Com aqueles caracóis esbranquiçados, iria ao cabeleireiro pintá-los de loiros, bem à cor do cabelo do "filhinho". Imagino a tia Goretti babada: "É o casamento do meu afilhado!"
Imagino os sobrinhos da Liliana de meninos das alianças juntamente com o "bebé vampiro". O teu amigo Jorge todo emocionado. Vocês a casar perante um juíz no civil e a mãe ainda assim toda fungosa. Até vejo a lágrima no canto do olho do velho. A avó Augusta a oferecer-te um envelope com 50 contos. O tio Carlos a suar de tanto dançar com a mãe. O pai com os copos. Eu como o pai. Tu todo selecto com um fato da Gant. A Lilas de vestido de noiva rocho.
E, depois percebo que queiras casar assim. Sem cerimónias. Nem convidados. Nem festa. Porque quem mais devia estar presente não estará. A morte da nossa mãe deixou este abismo imenso. Cada alegria é uma tristeza absurda. E não há forma desta dor passar. Allahu abhaAlguém telefona com insistência. Malan, protesta em atender. Recebe "toques" de África a toda hora. As cunhadas dão-lhe toques. Os irmãos dão-lhe toques. Os primos dão-lhe toques. Quase nunca ninguém lhe liga. Apenas a mãe. E ele rejeita a chamada e liga-lhe para que não gaste dinheiro. As primeiras palavras são de saudação - Salaam alaykum (paz esteja contigo)! Emocionada por ouvir a voz do filho Mencene inverte a saudação, como manda o Corão: Alaykum salaam! O motivo da chamada é o Ramadão, que começa dia 23 de Agosto. A mãe liga ao filho a pedir que não se esqueça de enviar o dinheiro para o açucar. As restrições alimentares durante este período obrigam ao cozinhar de certos pratos abundantes em açucar como forma de minimizar o efeito do jejum.
Malan, corre à loja de câmbios. Leva 60 euros na carteira, e envia-os com taxa, o que significa que pagará 11 euros e a mãe receberá apenas 49. Mas na moeda da Guiné soa a pequena fortuna 3 milhões e oitocentos de CFA. Um extra num mês em que já enviou uns cerca de 150 euros. Depois parte rumo a Braga onde o espera o encarregado da obra mais alguns colegas que com ele estão a trabalhar em Espanha. Um esforço sobrehumano de quase 16 horas diárias de trabalho. Allah que o perdoe, mas para Malan não é possível cumprir o Ramadão. Não teria forças para o trabalho. Por isso na Mesquita pede perdão. Allahu abha, Deus é Glorioso. August 16 Excessos - para a minha amiga CátiaLembras-te de quando eu dizia que "ia morrer à míngua de excessos", como Mário de Sá-Carneiro. Sinto-me a morrer farta dos excessos que não evitei. Bem ao contrário do que podia prever. Tal como dissete um dia me ia acontecer. Cansada de ser demais. Entrei num processo de desaceleração. Tarde demais? Seria irónico. Sinto-me podre. Sofri de demais. Errei demais. Chorei demais. Mudei demais. Arrependi-me demais. |
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